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Forças Armadas de Cabo Verde comemoram 50 anos no domingo

As Forças Armadas de Cabo Verde comemoram domingo o seu 50º aniversário, num ano que se espera de reforço de uma instituição ainda abalada pela morte, em 2016, de 11 pessoas num posto militar na ilha de Santiago.

Praia, 14 jan (Lusa) – As Forças Armadas de Cabo Verde comemoram domingo o seu 50º aniversário, num ano que se espera de reforço de uma instituição ainda abalada pela morte, em 2016, de 11 pessoas num posto militar na ilha de Santiago.


A morte, em abril, de oito militares e três civis, em Monte Tchota, interior da ilha de Santiago, às mãos de um soldado do mesmo destacamento, pôs a descoberto as fragilidades das Forças Armadas cabo-verdianas, nomeadamente ao nível das comunicações, dos critérios de recrutamento e das condições nos quartéis.


O crime, que, segundo ficou provado em tribunal teve motivações pessoais, fez cair todas as chefias das Forças Armadas e deu maior visibilidade à necessidade de reformas e reforço da instituição.


O ministro da Defesa, Luís Filipe Tavares, assegurou, em declarações recentes aos jornalistas, que o processo de modernização das Forças Armadas está já em curso e que 2017 será um ano decisivo na instituição, enquanto o chefe de Estado Maior Anildo Morais pediu reforço de meios.


As mudanças passam nomeadamente pelo reforço das capacidades da Guarda Costeira, pela intervenção ao nível do funcionamento da instituição e por ações que permitam um melhor enquadramento dos fuzileiros navais.


Reformas que contarão com o apoio da cooperação militar de países como Portugal, Espanha, França, Estados Unidos e Brasil.


Em cima da mesa está também a possibilidade de alargamento do atual quadro de 1.500 efetivos, ainda que neste campo o Governo cabo-verdiano ressalve a necessidade de ter em conta “as possibilidades do país”.


“O que posso garantir é que o Governo quer Forças Armadas operacionais, altamente profissionalizadas e com uma capacidade de intervenção que permita garantir sempre a soberania do país”, assegura Luís Filipe Tavares.


O chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMFA), Anildo Morais, que assumiu o comando da instituição após os acontecimentos de Monte Tchota, admitiu que 2016 foi um “ano atípico” que “abalou” as Forças Armadas, mas foi também o ano de “relançamento” da instituição, elevando-a “a um novo patamar”.


“Estamos a lançar as bases das linhas mestras daquilo que serão as Forças Armadas do futuro”, disse Anildo Morais, destacando como desafio para 2017, o reforço da Guarda Costeira.


“De acordo com as ameaças que pairam sobre Cabo Verde entendemos que deve ser dada uma importância maior à Guarda Costeira, tendo em conta a nossa posição geostratégica e também a grande extensão da nossa zona económica exclusiva. Qualquer tipo de ameaça certamente virá do mar e temos que dar maior pujança à Guarda Costeira para que possa cumprir cabalmente a sua missão”, acrescentou.


O chefe de Estado Maior das Forças Armadas sublinhou igualmente a necessidade de dignificar as Forças Armadas, melhorando as condições de “vida e de trabalho” dos militares.


Para tal, disse, são necessários “recursos financeiros e um forte apoio” do Governo.


O aniversário das Forças Armadas cabo-verdianas tem vindo a ser assinalado desde o início do mês com exercícios militares e um ciclo de conferências, estando o ato central das comemorações agendado para domingo, na capital cabo-verdiana.


A efeméride assinala o dia em que, em 1967, em Cuba, os elementos do núcleo fundador das Forças Armadas de Cabo Verde prestaram juramento perante o líder histórico da Independência, Amílcar Cabral.


Em 1988, o Governo de Cabo Verde, fixou o dia 15 de janeiro como Dia das Forças Armadas de Cabo Verde.



CFF// ATR


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