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Estado da nação de PR moçambicano está cheio de intenções e expressões lacónicas – oposição

Os partidos da oposição com assento parlamentar em Moçambique manifestaram-se insatisfeitos com o discurso do estado da nação do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, considerando que se tratou de uma apresentação cheia de intenções e expressões lacónicas.

Maputo, 19 dez (Lusa) – Os partidos da oposição com assento parlamentar em Moçambique manifestaram-se hoje insatisfeitos com o discurso do estado da nação do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, considerando que se tratou de uma apresentação cheia de intenções e expressões lacónicas.


“Nós estávamos à espera de ações concretas, mas o que ouvimos foram intenções”, disse à imprensa Ivone Soares, chefe da bancada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, à margem do discurso anual sobre o estado da nação apresentado por Filipe Nyusi no parlamento.


Para a chefe da bancada da Renamo, apesar de Filipe Nyusi ter “tocado um pouco” nos temas mais importantes da atualidade, o seu discurso não apresenta soluções concretas para o fim do conflito político e militar no país, “expetativa de todos os moçambicanos”.


“O Presidente disse que o estado da nação continua firme, mas firme em quê?”, questionou a chefe da bancada do maior partido da oposição, acrescentando que a única nota de esperança do discurso de Filipe Nyusi reside na abertura que manifestou para dialogar com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.


“É necessário exigir que aquilo que ele disse hoje seja realmente feito”, afirmou Ivone Soares, observando que a prioridade de Filipe Nyusi devia ser retirar as tropas governamentais que estão na serra da Gorongosa, no centro do país, onde presumivelmente está o líder da Renamo.


Por sua vez, Silvério Ronguane, deputado do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força política moçambicana, disse que o discurso não foi ao encontro das expetativas do povo moçambicano, considerando-o cheio de expressões lacónicas e que pouco acrescenta.


“O chefe de Estado não é um jornalista, mas sim alguém que deve zelar pelo bem-estar dos moçambicanos. Não basta estar cheio de expressões lacónicas, nós já não queremos palavras, queremos atitudes”, afirmou Silvério Ronguane, que entende que a intolerância política que persiste em Moçambique revela que o país ainda tem muitos desafios pela frente.


“Depois de ouvir o discurso, a pergunta que se coloca é: estamos firmes em quê? Na fome, na guerra?”, questionou também Silvério Ronguane, observando que a resolução da crise política e militar que opõe o Governo moçambicano e a Renamo passa pela adoção de um modelo de diálogo inclusivo.


O Presidente moçambicano considerou hoje que 2016 foi um ano marcado por “muitas tormentas” e pelo efeito combinado da crise económica e política, mas que “o estado da nação mantém-se firme”.


As políticas macroeconómicas “já estão a dar resultados animadores”, segundo o chefe de Estado, indicando “uma retoma da economia”, com um crescimento que situa em cerca de 4% este ano, numa arrecadação de receitas na ordem dos 70% até setembro e controlo da inflação média nos 15% e redução da desvalorização da moeda nacional face ao dólar, de 80 meticais há três meses para os 72 atuais.


Entre as medidas executadas, o Governo moçambicano está a vender ou a liquidar 64 das 109 empresas detidas ou participadas pelo Estado e a reestruturar as restantes, revelou o Presidente da República.


Nyusi disse ainda que propôs à Renamo a criação de um grupo de trabalho especializado, “sem distinção política” nem a presença do atual grupo de mediadores para debater o processo de descentralização e alcançar um acordo de paz com o maior partido de oposição.




EYAC (HB) // El


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