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Democrata de Hong Kong acusa Macau de ter lista de nomes a quem barra entrada

Um democrata de Hong Kong foi impedido de entrar em Macau e acusou o Governo da cidade de ter uma “lista negra” de residentes na ex-colónia britânica que barra na fronteira.

Macau, China, 31 dez (Lusa) – Um democrata de Hong Kong foi hoje impedido de entrar em Macau e acusou o Governo da cidade de ter uma “lista negra” de residentes na ex-colónia britânica que barra na fronteira.


Frederick Fung, da Association for Democracy and People’s Livelihood, foi impedido de entrar em Macau com o argumento de que representa uma ameaça e enviado de volta para Hong Kong, segundo contou o próprio à rádio e televisão pública de Hong Kong (RTHK).


O democrata afirmou que já foi impedido de entrar em macau três vezes.


“Penso que o governo da Região Administrativa Especial de Macau tem uma lista negra de pessoas de Hong Kong”, afirmou, considerando que é algo injustificável.


“Sou cidadão de Hong Kong [e] não fiz nada”, disse, defendendo que o Governo de Hong Kong deve esclarecer a situação junto das autoridades de Macau.


O impedimento de entrada em Macau acontece com alguma regularidade, ao abrigo da lei de segurança interna, habitualmente em dias próximos de datas comemorativas ou de visitas de alto nível de governantes da China.


Foi o que aconteceu em outubro passado, quando o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, esteve na cidade e dois ex-ativistas e um cineasta de Hong Kong foram impedidos de entrar em Macau, com o mesmo argumento de que representam uma ameaça à segurança.


A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau não tem por hábito apresentar motivos concretos. À Lusa, e a propósito de um dos casos ocorridos em outubro, a polícia indicou apenas que é da sua responsabilidade a “inspeção e o controlo da entradas e saídas da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]”, incluindo “decidir autorizar ou recusar a entrada de visitantes”.


A PSP acrescentou não ter “nada a referir e comentar” sobre “um caso particular”.


Na altura, também o antigo ativista Roddy Shaw Kwok-wah disse acreditar que está “em algum tipo de lista negra”.


“Acredito que já não estou na lista do Governo de Hong Kong, mas posso continuar na da China”, afirmou.


A 19 de dezembro de 2014 – véspera da comemoração dos 15 anos da transferência da administração de Macau de Portugal para a China – quatro jornalistas do Apple Daily e 14 ativistas tiveram entrada recusada no território. Macau recebeu, nessa altura, a visita do Presidente chinês, Xi Jinping.


Hong Kong e Macau são duas regiões da China mas têm administração especial, havendo nas duas cidades autonomia em relação a Pequim e liberdades que não existem no resto do país.



MP (ISG) // CC


Lusa/fim


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