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Conferência internacional sobre Chipre discute hoje futuro da ilha dividida

O “momento da verdade” para Chipre poderá ser confirmado hoje no decurso de uma conferência internacional em Genebra sobre a reunificação da ilha, através de um acordo global que evite novas fraturas entre cipriotas gregos e turcos.

Genebra, 12 jan (Lusa) — O “momento da verdade” para Chipre poderá ser confirmado hoje no decurso de uma conferência internacional em Genebra sobre a reunificação da ilha, através de um acordo global que evite novas fraturas entre cipriotas gregos e turcos.


As conversações de paz diretas que se prolongam desde maio de 2015 e impulsionadas pela ONU têm envolvido o Presidente de Chipre, Nikos Anastasiades, e o chefe da comunidade turca, Mustafa Akinci, à frente das duas delegações que desde segunda-feira mantêm intensas negociações no Palácio das Nações, sede europeia das Nações Unidas.


No entanto, poderá ser necessário um tempo adicional para um acordo abrangente, com diversos responsáveis envolvidos nas conversações a admitirem que um entendimento final não é “pré-condição” para a realização da conferência, que será inaugurada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.


“A conferência vai durar o tempo que for necessário”, esclareceu na quarta-feira a porta-voz da ONU em Genebra, Alessandra Vellucci.


Os dois campos mantinham profundas divergências sobre questões cruciais, em particular em torno de cinco capítulos: economia, União Europeia, restituição das propriedades espoliadas, administração e partilha de poder, arranjos territoriais, segurança e garantias.


De momento, parece já existir um acordo de princípio para que a ilha do Mediterrâneo oriental seja declarada um Estado federal bizonal e bicomunal, com dois Estados constituintes.


Na quarta-feira, registou-se novo progresso no campo negocial, com o mediador da ONU e diplomata norueguês, Espen Barth Eide, a anunciar que os mapas do futuro Estado federal de Chipre foram apresentados pela primeira vez desde a divisão da ilha, em 1974.


Nos meios diplomáticos, é reconhecida a influência decisiva dos países “garantes” da segurança de Chipre após a independência em 1960 — Turquia, Grécia e Reino Unido, a antiga potência colonial que mantém duas importantes bases militares na parte sul da ilha — para a consecução de um acordo abrangente e que depois terá de ser legitimado em referendo pelas duas entidades.


O mediador da ONU referiu ainda na quarta-feira que os três países “garantes” de Chipre estarão representados na conferência internacional pelos seus ministros dos Negócios Estrangeiros. Está ainda confirmada a presença em Genebra do presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker, na qualidade de “observador”.


A ilha mediterrânica está dividida há mais de 40 anos, na sequência da invasão militar turca em resposta a um fracassado golpe de Estado fomentado pela junta militar no poder em Atenas e que pretendia a união de Chipre à Grécia.


A República de Chipre, a “parte grega” da ilha, internacionalmente reconhecida e membro da União Europeia desde 2004, apenas exerce a sua autoridade na parte sul, onde se concentra a população cipriota grega.


Os cipriotas turcos ocupam a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte (RTCN, cerca de um terço do território e apenas reconhecida pela Turquia).



PCR // EL


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