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Chivukuvuku recorda que “não é a primeira vez” que PR angolano anuncia saída

Abel Chivukuvuku, líder da CASA-CE, terceira força política angolana, não está convencido de que José Eduardo dos Santos abandonará a Presidência do país, até porque “não é a primeira vez que faz anúncios de retirada da vida política”.

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Lisboa, 29 jan (Lusa) — Abel Chivukuvuku, líder da CASA-CE, terceira força política angolana, não está convencido de que José Eduardo dos Santos abandonará a Presidência do país, até porque “não é a primeira vez que faz anúncios de retirada da vida política”.


“Não é a primeira vez que o Presidente da República faz anúncios de retirada da vida política. E isso até teve consequências nas vidas das pessoas que acreditaram na sua palavra. Ora, uma pessoa que não manteve a sua palavra uma vez pode voltar a fazê-lo uma segunda e uma terceira vez”, afirmou em entrevista à agência Lusa, o presidente da CASA-CE, Convergência Ampla de Salvação de Angola — Coligação Eleitoral.


Em todo o caso, disse ainda o político angolano, esse “não é o problema”, acrescentando considerar “irrelevante o debate sobre se o Presidente da República sai ou não sai”.


“O concorrente é o MPLA, com os seus membros. Se o Presidente da República decidir sair, penso que é um direito. Até está muito atrasado, já deveria ter saído há muito tempo”, afirmou Abel Epalanga Chivukuvuku, 58 anos, antigo combatente da UNITA e ex-dirigente dileto do partido fundado por Jonas Savimbi, que chegou a apontá-lo como o seu sucessor.


José Eduardo dos Santos leva “quase quarenta anos de poder absoluto” em Angola, disse Chivukuvuku, e “isso, humanamente, traz desgaste e eventualmente traz também estancamento. Não há produção de novas ideias e Angola tem sido vítima disso”.


Mas o líder da CASA-CE quer optar por não dedicar muito tempo à questão. As eleições angolanas vão escolher um partido, de onde sairá o próximo presidente angolano e Chivukuvuku não quer distrair-se: “Vamos fazer face ao mesmo MPLA — antidemocrático, antipatriótico, corrupto, antissocial, insensível”, com o acréscimo — caso José Eduardo dos Santos não cumpra a palavra — “do desgaste da longevidade e da credibilidade”, declarou à Lusa.


Abandone ou não a vida política, Chivukuvuku acredita que o anúncio de José Eduardo dos Santos, e a incerteza que começa a instalar-se na sociedade angolana, onde estão previstas manifestações de apoio à continuidade do chefe de Estado, já está a beneficiar a CASA-CE e restantes partidos da oposição.


“Porque, afinal, mais uma vez, diz que sai e depois não sai… Neste momento, a incerteza já está a fazer mal ao próprio MPLA. O cidadão não sabe o que está a acontecer, sai, não sai, qual será o próximo candidato? Só isso já é um problema para o cidadão”, considerou.


Sobre se acredita que, ainda que venha a abandonar a Presidência angolana. José Eduardo dos Santos abrirá mão do poder efetivo do país, Chivukuvuku apontou um “ditado que diz que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”.


“O Presidente atual exerceu durante vários anos um poder totalitário, durante o tempo do partido único. Com as mudanças e a reforma constitucional de 1991, passou a exercer um poder autoritário com as características que lhe são conhecidas de querer dominar absolutamente tudo. Ora, é o momento de largar tudo. Pode não ser fácil para o quadro mental de [algumas] personalidades, mas a natureza humana é assim. As sociedades não vão ficar à espera, têm que evoluir”, afirmou.



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By Impala News / Lusa


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