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Central sindical de São Tome acusa Governo de estar pouco preocupado trabalhadores

O secretário-geral da Organização Nacional dos Trabalhadores de São Tomé e Príncipe – Central Sindical (ONTSEP-CS), João Tavares, acusou o Governo de falta de diálogo e de “não estar preocupado com o bem-estar dos trabalhadores”.

São Tomé 10 dez (Lusa) – O secretário-geral da Organização Nacional dos Trabalhadores de São Tomé e Príncipe – Central Sindical (ONTSEP-CS), João Tavares, acusou hoje o governo de falta de diálogo e de “não estar preocupado com o bem-estar dos trabalhadores”.


João Tavares disse que o executivo não “dá importância” ao Conselho de Concertação Social, órgão tripartido que integra governo, entidade empregadora e representante dos trabalhadores, criado para dirimir conflitos laborais, sublinhando que “muitas vezes são remetidas cartas a pedir encontros e que essas cartas perdem-se pelo caminho”.


“Infelizmente, o governo que nós temos ignora este órgão e isto é mau exemplo para o empregador”, disse o secretário-geral, lamentando: “quando o Governo tem essa atitude, quebra-nos a força de exigir ao setor privado um diálogo bilateral”.


A ONTSTEP é a central sindical mais antiga do país. Fundada em 1979, congrega mais de 25 sindicatos filiados, incluindo os da saúde, agricultura, telecomunicações, empresa nacional de administração dos portos (Enaport) e de Empresa Nacional de Segurança Aérea (Enasa).


João Tavares foi eleito esta tarde no V congresso da organização para um mandato de quatro anos.


No evento que decorreu sob lema “não há democracia sem liberdade sindical”, lembrou que os trabalhadores são-tomenses vivem uma situação social precária com tendência para agravar-se, lamentando que “esta preocupação não faça parte da agenda deste governo”.


Durante cerca de 20 minutos de discurso o secretário-geral da ONTSTEP-CS acusou o governo de pagar salários na função pública com “elevado atraso”, apelando aos trabalhadores para “não continuarem a consentir” essa demora.


“Atualmente os salários são pagos em cada 45 dias e em alguns casos, de dois em dois meses. Muitos trabalhadores têm dívidas com os bancos, têm compromissos com as escolas dos seus filhos, com a saúde e com a alimentação de sua família. Como é que isso fica”, questionou João Tavares.


“Os principais responsáveis por isso são os próprios trabalhadores que não reagem. Vocês têm que reagir e podem contar com o nosso apoio”, apelou.


Sobre as empresas privadas, acusou os patrões de “perseguição”, sublinhando que muitos trabalhadores “são vítimas de despedimentos simplesmente por aderirem ao sindicato”.


Tomou como exemplo o que se passa na Satocao, uma empresa de capital belga com fortes investimentos na produção e comercialização do cacau onde segundo disse, a “tendência para exclusão, maximizar os lucros e terem os trabalhadores como objeto descartável é o dia-a-dia”.


“A Satocao é um exemplo e esperamos que as entidades responsáveis possam agir em defesa do país, dos trabalhadores, da nação, pondo acima de tudo o interesse nacional”, disse.


“Nós não estamos contra o investimento privado estrangeiro, estamos contra a exploração porque sabemos que quanto maior for a exploração, maior é a pobreza”, acrescentou João Tavares.



MYB // SB


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