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CEDEAO admite envio de tropas para a Gâmbia caso o Presidente não saia do poder

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental revelou hoje que os líderes dos países que a integram vão enviar tropas para a Gâmbia caso o Presidente Yahya Jammeh não aceite a derrota nas eleições.

Bamako, 23 dez (Lusa) – A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental revelou hoje que os líderes dos países que a integram vão enviar tropas para a Gâmbia caso o Presidente Yahya Jammeh não aceite a derrota nas eleições.


O presidente da Comissão do bloco regional da África Ocidental, Marcel de Souza, disse que os Estados da CEDEAO têm tropas “em estado de prontidão” e que o organismo já escolheu o Senegal para liderar uma eventual intervenção militar na Gâmbia.


O mandato presidencial de Yahya Jammeh expira formalmente a 19 de janeiro, data prevista para a tomada de posse de Adama Barrow como novo presidente.


Jammeh – no poder há 22 anos – aceitou inicialmente a derrota nas eleições presidenciais gambianas, realizadas no passado dia 01 de dezembro, mas uma semana depois voltou atrás e declarou que se recusa a aceitar os resultados.


O ainda Presidente gambiano alegou irregularidades no número de votantes, entre outras questões.


“O bloco regional mandatou o Presidente nigeriano Muhammadu Buhari como mediador para oferecer a Jammeh uma ‘saída honrosa’, mas se ele não a tomar então poderemos mobilizar as forças” que já estão em prontidão, disse Marcel de Souza.


Souza falava à imprensa em Bamako, Mali, num momento em que a CEDEAO continua a tentar uma saída diplomática para a questão.


O Senegal – que seria o país a liderar a intervenção – é o único país que partilha fronteira terrestre com a Gâmbia (o Senegal praticamente envolve a Gâmbia, com a exceção da costa) e já afirmou que qualquer intervenção militar seria um último recurso.


O Senegal mantém relações tensas com a Gâmbia, país para o qual enviou tropas durante um golpe de Estado em 1981.


A CEDEAO enviou tropas para a Libéria e para a Serra Leoa durante as guerras civis naqueles países na década de 1990, estabelecendo um precedente para eventuais futuras intervenções.


O bloco regional poderá ainda procurar obter aprovação do Conselho de Segurança da ONU para o envio de forças para a Gâmbia.


A 10 de janeiro (nove dias antes da posse de Adama Barrow), o Supremo Tribunal da Gâmbia vai começar a decidir um requerimento do partido de Jammeh, que apela a que o resultado das eleições seja modificado, dando a vitória ao ainda Presidente.



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