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CASA-CE não exclui hipótese de vir a governar com MPLA

O presidente da CASA-CE, terceira força política angolana, Abel Chivukuvuku, está convencido de que será “governo ou parte de governo” em resultado das eleições em Angola este ano, e não afasta a hipótese de governar com o MPLA.

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Lisboa, 29 jan (Lusa) — O presidente da CASA-CE, terceira força política angolana, Abel Chivukuvuku, está convencido de que será “governo ou parte de governo” em resultado das eleições em Angola este ano, e não afasta a hipótese de governar com o MPLA.


“Com este MPLA que conheço hoje não haveria possibilidade de convergência. Partimos de bases completamente diferentes. Agora, não ponho de parte a possibilidade do próprio MPLA também se transformar”, afirmou em entrevista à agência Lusa o presidente da CASA-CE, Convergência Ampla de Salvação de Angola — Coligação Eleitoral.


“Os fenómenos humanos e políticos são mutáveis. É possível que venha uma nova liderança do MPLA que queira também a democracia, que queira a boa governação. Se houver esses patriotas, sim senhor! Mas com os dirigentes de hoje não temos convergência possível”, acrescentou Abel Epalanga Chivukuvuku, 58 anos, antigo combatente da UNITA e ex-dirigente dileto do partido fundado por Jonas Savimbi, que chegou a apontá-lo como o seu sucessor.


O presidente da CASA-CE vem a afirmar há cerca de um ano a convicção de que será “governo ou parte de Governo” em resultado das eleições nacionais em Angola previstas para agosto próximo, uma “formulação” que mantém e diz estar alicerçada em “estudos de opinião”.


“Mantenho essa formulação. Em primeiro lugar, temos acesso a estudos de tendências de opinião. Não temos sido nós a requisitar, mas temos tido acesso. Se conseguirmos realizar em Angola eleições justas, livres e transparentes, não tenho dúvida absolutamente nenhuma de que haverá mudança em Angola, [e nós] temos condições para ser uma força política determinante para o futuro de Angola. E para sermos uma força política determinante teremos que ser governo ou parte do governo”, afirmou.


Quanto aos resultados que espera obter, Chivukuvuku foi evasivo, afirmando apenas que está a lutar para obter “os resultados que permitam à CASA ser governo ou parte do governo”, mas sublinhando também a convicção de que o cenário de uma maioria parlamentar “é realizável”.


“O importante – reforçou – é conseguirmos eleições livres, justas e transparentes”. “A CASA-CE conseguiu transmitir confiança e esperança a vários segmentos populacionais que já não acreditavam no jogo político angolano, conseguiu entusiasmar segmentos que no passado eram apáticos, particularmente a juventude. Hoje, a CASA-CE precisa só de transmitir confiança em determinados segmentos ligados ao sistema para perceberem que, mesmo as pessoas ligadas ao sistema têm a ganhar com a mudança. É isso que vai fazer com que se realizem os objetivos”, concretizou Abel Chivukuvuku.


Quanto a eventuais alianças futuras, caso os resultados eleitorais venham a dar razão à convicção do líder da CASA-CE, Chivukuvuku não abriu o jogo. “Nas circunstâncias presentes não determinamos que partido” ou partidos poderão ajustar-se numa coligação governamental, disse.


“Nas circunstâncias presentes determinamos a nossa visão, estruturamos as grandes bases de programação da nossa governação. Depois, em função dos resultados eleitorais e da avaliação, serão os partidos com uma identidade que se aproxime na nossa aqueles com que poderemos trabalhar”, acrescentou.


“Não poderemos trabalhar com um partido corrupto, quando somos contra a corrupção, não poderemos trabalhar com um partido insensível ao sofrimento e pobreza da população, quando o que queremos é realizar o cidadão, não poderemos trabalhar com um partido antidemocrático, quando o que queremos é afirmar os princípios e valores da democracia. Serão essas as bases de avaliação”, disse ainda o líder da CASA-CE, o que, foi também claro, exclui o “MPLA de hoje”.


Chivukuvuku indicou também que a coligação que dirige está “neste momento a absorver vários cidadãos de vários segmentos políticos, populacionais e sociais, que se juntam à CASA”, num “fenómeno crescente”, mas escusou-se a indicar se está a convidar expressamente estes “segmentos” para o fazerem.


O ex-primeiro-ministro angolano Marcolino Moco, é um dos nomes sonantes que têm sido identificados como em órbita de aproximação à CASA-CE, porém, instado a dizer se tenciona convidá-lo a integrar a coligação nesta reta para as eleições, Chivukuvuku foi particularmente lacónico. “Recebemos todos. Não temos parâmetros de recusa. Cada cidadão é livre de optar”, disse.


“Temos trabalhado bastante com o meu conterrâneo e amigo Dr. Marcolino Moco. Ele esteve no nosso congresso, participou em seminários organizados pela CASA no Huambo, em Benguela e em vários outros locais. Ele tem vontade, como cidadão, de dar o seu contributo e é livre, se assim o entender, de dar outros passos na vida. Colocamos isso como um ato de liberdade de cada cidadão angolano”, acrescentou.



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By Impala News / Lusa


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