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Bob Dylan, Nobel da Literatura, em conversa-concerto no Centro Cultural de Belém

A atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao músico Bob Dylan é o pretexto para a obra do autor ser discutida em Lisboa, hoje, no Centro Cultural de Belém.

Lisboa, 18 dez (Lusa) – A atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao músico Bob Dylan é o pretexto para a obra do autor ser discutida em Lisboa, hoje, no Centro Cultural de Belém.


A conversa-concerto realiza-se no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém e tem por título “Dylan: Mudam-se os tempos”. Com moderação do jornalista Nuno Galopim, conta com Pedro Mexia, escritor, Manuel Falcão, colunista, gestor, fundador e primeiro diretor do Blitz (1984), Mark Pannel, da embaixada dos Estados Unidos, e Pedro Serrano, tradutor de Dylan, além do músico Miguel Araújo, que tocará alguns temas.


“Mais do que discutir se o Nobel atribuído este ano a Bob Dylan é justo ou não, entre uma conversa e algumas canções vamos debater que literatura é afinal a deste nome maior da história da música do nosso tempo, que agora pôs meio mundo a falar sobre o mais alto dos prémios literários”, sustentou o CCB em comunicado.


A sessão no CCB sucede a “Os livros de Bob Dylan”, debate que que teve lugar na Biblioteca Nacional, em novembro, com a participação de António M. Feijó, professor de Literatura, atual vice-reitor da Universidade de Lisboa, Miguel Tamen, professor de Teoria da Literatura, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, colunista, autor de “Amigos de Objetos Interpretáveis”, e Telmo Rodrigues, professor de literatura, que concluiu no ano passado uma tese sobre Bob Dylan.


“Talvez se possa argumentar que Dylan não necessitasse de um Nobel para que soubéssemos da sua importância; mas o facto de o prémio permitir que Dylan seja hoje celebrado em espaços como as bibliotecas é já suficiente para o aceitarmos como um bem necessário, mesmo que vilipendiado”, escreveu Telmo Rodrigues, doutorado em Teoria da Literatura, no ‘site’ da Biblioteca Nacional.


Bob Dylan, 75 anos, foi distinguido em outubro com o Nobel da Literatura, “por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana”.


Um mês depois do anúncio, o músico e escritor fez saber que não se deslocaria a Estocolmo, no passado dia 10, para receber o galardão.


A cantora norte-americana Patti Smith cantou, na cerimónia, a música “A hard rain’s a-gonna fall”, de Bob Dylan, e a embaixadora dos Estados Unidos na Suécia lei uma mensagem do músico, no banquete dos prémios, em Estocolmo.


“Se alguém me tivesse dito que tinha uma hipótese de ganhar o Prémio Nobel, eu teria pensado que as minhas oportunidades eram tão grandes como estar na lua”, escreveu Bob Dylan, o primeiro autor-compositor a receber o prémio.


Este discurso, o músico agradeceu formalmente à Academia Sueca: “Nenhuma vez tive tempo de perguntar a mim mesmo ‘Serão as minhas músicas literatura?'”, disse Dylan, confessando que, juntar-se a nomes como Thomas Mann, Albert Camus ou Ernest Hemingway, entre outros, “está além das palavras”.


Bob Dylan justificou a ausência na cerimónia de entrega dos prémios com “outros compromissos”, mas, no discurso, lamentou não estar em Estocolmo. Ainda assim, disse estar no local “em espírito” e “honrado” com o prémio.



SS (SP/MBA/MAG) // MAG


Lusa/fim


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