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Ataque da Al-Shebab em Mogadíscio faz pelo menos 28 mortos – novo balanço

Vinte e oito pessoas morreram e 43 ficaram feridas em consequência de um assalto com armas ligeiras e dois carros-bomba levado a cabo por um comando do grupo ‘jihadista’ Al-Shebab num hotel no centro de Mogadíscio.

Mogadíscio, 25 jan (Lusa) — Vinte e oito pessoas morreram e 43 ficaram feridas em consequência de um assalto com armas ligeiras e dois carros-bomba levado a cabo hoje por um comando do grupo ‘jihadista’ Al-Shebab num hotel no centro de Mogadíscio.


“Registámos até agora 28 e 43 feridos. Isto é o que confirmámos com as nossas equipas, mas há outras ambulâncias que transportaram vítimas, não sabemos quantas”, indicou à agência France Presse, Abukadir Abdirahman Adem, diretor do principal serviço de ambulâncias na capital somali.


O assalto começou com o rebentamento de um carro bomba que se introduziu no famoso hotel Daya na capital somali, abrindo caminho a um grupo de terroristas que acederam ao interior daquele estabelecimento disparando indiscriminadamente.


Em seguida, um segundo carro-bomba explodiu nas imediações do hotel, causando muitos mortos e feridos, incluindo vários jornalistas que entretanto tinham acedido ao local.


Um ministro do Governo somali que no momento se encontrava dentro do hotel – junto ao Parlamento somali, no centro de Mogadíscio, e muito frequentado por políticos e pelos meios empresariais — disse à EFE que na altura do ataque decorria uma reunião entre grande número de deputados, no âmbito do processo eleitoral que decorre no país.


O grupo Al-Shebab, braço da Al-Qaida na Somália, reivindicou mais este ataque em Mogadíscio, onde nos últimos meses foram perpetrados numerosos atentados, frequentemente em hotéis e restaurantes frequentados por políticos, provocando a morte de dezenas de civis.


O ataque de hoje foi o mais violento em 2017, e ocorre numa altura em que o país se prepara para escolher um novo governo.


A Somália não é governada por um governo central e efetivo desde a destituição do regime militar do presidente Siad Barre em 1991, que deu origem a décadas de anarquia e conflitos num país fortemente dividido por vários clãs.


As rivalidades entre clãs e a ausência de imposição da lei constituem terreno fértil para o Al-Shebab, que tem vindo paulatinamente a tomar o controlo do território, frustrando os esforços de imposição de uma administração central eficiente.


Depois de uma série de governos de transição constituídos no estrangeiro, foi possível formar um Parlamento na Somália em 2012 escolhido por 135 clãs, que nomearam os seus representantes.


Esteve prevista uma primeira eleição legislativa por voto universal — uma pessoa, um voto — em 2016, mas os combates e insegurança interna resultaram numa eleição “limitada”, em que 14 mil delegados escolhidos votaram para a formação de um parlamento com 275 assentos distribuídos de acordo com os pesos relativos dos vários clãs.


Outros 72 assentos para câmara alta do Parlamento somali foram distribuídos de acordo com as regiões.


Os deputados recentemente eleitos deverão agora escolher um novo Presidente, mas este ato tem sido sistematicamente adiado.


A eleição de 2016 tem sido vista como um primeiro passo no sentido um sufrágio universal, agora previsto para 2020.



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By Impala News / Lusa


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