António Guterres alerta que «a Guerra Fria voltou»

António Guterres alerta que «a Guerra Fria voltou»

O secretário-geral da ONU alertou hoje para o retorno da Guerra Fria e denunciou que a situação na Síria no presente representa o maior perigo para a paz e segurança mundiais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou hoje para o retorno da Guerra Fria e denunciou que a situação na Síria no presente representa o maior perigo para a paz e segurança mundiais.

“A Guerra Fria voltou”, disse Guterres, na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas pedida pela Rússia, para discussão das tensões em torno da Síria, depois de os Estados Unidos ameaçarem intervir militarmente, em resposta ao suposto ataque químico do passado sábado, atribuído ao regime sírio de Bashar al-Assad.

António Guterres afirmou que o Médio Oriente vive uma situação “de caos” e advertiu para o risco de as tensões se agravarem até um ponto incontrolável.

“As crescentes tensões, e a incapacidade de alcançar compromissos para estabelecer um mecanismo de responsabilização (sobre o uso de armas químicas na Síria), ameaçam conduzir a uma total escalada militar”, disse.

O secretário-geral das Nações Unidas disse que esta nova Guerra Fria significa que as fórmulas que existiam há décadas para gerir riscos já não estão presentes.

Armas químicas na Síria continuam a ser uma preocupação

Guterres insistiu na necessidade de as potências internacionais pactuarem no sentido de colocar em marcha um mecanismo que atribua responsabilidades pelo uso de armas químicas na Síria, e que existiu até novembro último, altura em que a Rússia o bloqueou.

Como enfatizou, não haver impunidade será incentivar a continuação do uso de armas proibidas e enfraquece toda a arquitetura internacional de não-proliferação daquele tipo de armamento.

Os Estados Unidos, França e o Reino Unido têm efetuado consultas sobre a resposta a dar, eventualmente militar, ao ataque militar, mas o momento e a escala de qualquer ação ainda não são claros.

Mais de 40 pessoas morreram, no sábado passado, num ataque das forças sírias contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, que, segundo organizações não-governamentais no terreno, foi realizado com armas químicas.

A oposição síria e vários países acusam o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco nega e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que peritos russos que se deslocaram ao local não encontraram “nenhum vestígio” de substâncias químicas.

Citando informações fornecidas por organizações de saúde locais em Douma, a Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou na quarta-feira que “cerca de 500 pessoas procuraram centros de atendimento, exibindo sintomas de exposição a elementos químicos e tóxicos”.

Resposta ao alegado ataque com armas químicas

O gabinete de crise britânico deu, na quinta-feira, ‘luz verde’ à primeira-ministra, Theresa May, para se juntar aos Estados Unidos e à França e planear possíveis ataques militares, em resposta ao alegado ataque com armas químicas na Síria.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou dispor de “provas” de que o regime de Bashar al-Assad utilizou armas químicas num ataque contra a localidade rebelde síria de Douma.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ainda não tomou uma decisão final sobre eventuais ataques na Síria e planeia “continuar em consultas” com os seus aliados.

 


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