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Angola precisa de 246 milhões de dólares para meta de desminagem

Os Estados Unidos vão doar quatro milhões de dólares para o programa de desminagem de Angola, mas o país precisa de 246 milhões de dólares para cumprir o objetivo de concluir a limpeza até 2025.

Huambo, Angola, 14 jan (Lusa) – Os Estados Unidos vão doar quatro milhões de dólares para o programa de desminagem de Angola, mas o país precisa de 246 milhões de dólares para cumprir o objetivo de concluir a limpeza até 2025.


O anúncio da disponibilização desta verba (3,7 milhões de euros) pelo Departamento do Estado, a aplicar este ano, foi feito hoje no Huambo por Constance Arvis, ministra conselheira da embaixada norte-americana em Luanda, no âmbito das cerimónias evocativas dos 20 anos da visita de Diana de Gales àquela província, colocando então Angola em destaque nas necessidades internacionais de desminagem.


“Esta assistência, implementada através de organizações não-governamentais e em parceria com o Governo de Angola, permite a mais e mais angolanos voltar a casa em segurança, reconstruir as suas comunidades e cuidar das suas plantações”, enfatizou a diplomata.


Numa altura em que as doações internacionais para a desminagem em Angola caíram 80%, Constance Arvis recordou que os Estados Unidos são “parceiros empenhados nessa luta” e que desde 1995 já investiram mais de 124 milhões de dólares (116,5 milhões de euros) no programa angolano de remoção e destruição de minas terrestres, engenhos não detonados e munições.


A guerra civil em Angola prolongou-se entre 1975 e 2002, mas desde então estima-se que a desminagem apenas tenha chegado a metade do país, com mais de mil campos identificados que permanecem por desminar.


Além de vários acidentes mortais que se continuam a registar no país, sobretudo com crianças, estes campos minados impedem a livre circulação em várias comunidades ou acesso a alguns campos de cultivo.


Presente hoje no Huambo, o general britânico James Cowan, diretor-geral da Halo Trust, uma das maiores organizações não-governamentais internacionais da área da desminagem, disse que o país ainda tem necessidades estimadas de 246 milhões de dólares (231 milhões de euros) de financiamento internacional para conseguir cumprir a meta de concluir a desminagem do país até 2025, conforme a convenção de Otawa, a que Angola aderiu.


Apesar de se tratar de uma verba “elevada”, o responsável da Halo Trust, que assegura a desminagem em várias províncias do centro e sul de Angola, afirma que, “dividida pelos próximos anos, por vários países doadores e pelo Governo angolano”, é uma “meta alcançável”.


Como exemplo, a Halo Trust aponta o caso do Huambo, onde se registaram intensas atividades militares durante a guerra civil, e que poderá ser a primeira província do país a ser declarada como totalmente livre de minas, já em 2018.


A Halo Trust promoveu a limpeza de 270 campos de minas no Huambo, desde 1994, restando apenas 18, mas a falta de financiamento fez a organização reduzir de 80 para 13 o total de equipas no terreno, para operações de desminagem e investigação.


“Temos aqui atrás de nós veículos parados que podiam estar a ser utilizados”, lamentou o general James Cowan.


Só hoje, numa ação das autoridades angolanas e da Halo Trust, em Tchicala Tcholoanga, a 35 quilómetros do Huambo, foi feita uma explosão controlada de quase uma tonelada de material recuperado em toda a província, no caso 200 morteiros de 82 mm e sete projéteis de 130 mm.


Desde a visita de Diana de Gales ao Huambo, a 15 de janeiro de 1997, alvo na altura de uma cobertura mediática internacional, Angola garantiu mais de 100 milhões de dólares (94 milhões de euros) de financiamento para desminagem, 60% proveniente dos Estados Unidos.


Atualmente, além do apoio norte-americano, o financiamento chega a Angola também da Suíça e do Reino Unido – cujas representações diplomáticas também estiveram hoje nas cerimónias no Huambo -, com a Halo Trust a multiplicar os apelos ao reforço dos donativos internacionais, sob pena de o processo de desminagem poder parar.


“Em memória da princesa Diana, deixem-nos acabar o trabalho”, concluiu James Cowan.



PVJ // JLG



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