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MNE moçambicano encoraja retoma de apoio internacional

O ministro dos Negócios Estrangeiros moçambicano encorajou hoje os parceiros internacionais a retomarem a ajuda ao país, aproveitando o momento de “abertura e espírito construtivo” do FMI face a um novo programa de apoio.

Maputo, 14 dez (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros moçambicano encorajou hoje os parceiros internacionais a retomarem a ajuda ao país, aproveitando o momento de “abertura e espírito construtivo” do FMI face a um novo programa de apoio.


“Encorajamos os parceiros de cooperação, incluindo os Estados Unidos da América, a aproveitarem este momento de esperança para continuarem a trabalhar com o nosso país, com vista à retomada plena dos fluxos financeiros, numa base mutuamente vantajosa e respeitando o princípio da transparência e prestação de contas”, declarou Oldemiro Baloi, por ocasião do lançamento da primeira pedra da futura embaixada norte-americana em Maputo.


O chefe da diplomacia moçambicana disse que o seu país se encontra encorajado pela “abertura e espírito construtivo demonstrado pelo FMI [Fundo Monetário Internacional] rumo à retomada das negociações para a definição do futuro mecanismo financeiro de apoio”.


Do mesmo modo, referiu que, num momento em que enfrenta “múltiplos desafios”, além da agenda económica, o Governo colocou no centro das suas prioridades o fim do conflito com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, no centro e norte do país.


“Continuamos empenhados a levar a cabo todas as iniciativas, incluindo com apoio dos nossos parceiros internacionais, com vista a devolver uma paz efetiva e duradoira ao nosso país, condição indispensável para a livre circulação de pessoas e bens e para a retoma da atividade económica em toda a extensão territorial”, afirmou.


Oldemiro Baloi considerou a construção da nova representação norte-americana “um sinal inequívoco do excelente nível de relações políticas e de cooperação e, portanto, da parceria de longo-prazo” entre os dois países, nascida há 40 anos, após a independência de Moçambique.


“Estamos convictos de que, juntos, pedra a pedra, continuaremos a construir um edifício sólido das nossas relações que assentam em pilares que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável exprimem duma forma clara e abrangente”, afirmou.


Em maio, os Estados Unidos anunciaram a revisão do financiamento calculados em cerca de 350 milhões de euros anuais a Moçambique, após a descoberta de dívidas ocultadas nas contas públicas moçambicanas, seguindo o exemplo do FMI e dos 14 doadores do Orçamento do Estado.


Tal como outros parceiros, os Estados Unidos exigem uma auditoria às empresas estatais beneficiadas pelos empréstimos ocultos, garantidos pelo Governo entre 2013 e 2014.


A auditoria já está em curso, devendo ficar concluída em fevereiro, após o Governo moçambicano ter declarado incapacidade financeira para pagar as próximas prestações das empresas endividadas e dirigido um pedido de ajuda ao FMI.


As negociações entre o Governo e o FMI para um novo programa de assistência foram retomadas em junho e prosseguiram com uma missão a Maputo em dezembro, mas as regras do Fundo impedem a ajuda a países com uma trajetória insustentável da dívida, como é o caso de Moçambique.


O país enfrenta ainda uma crise económica, que obrigou o Governo e o banco central a aplicarem medidas de ajustamento, e um conflito que afeta a segurança e a economia na região centro e norte do país.


Segundo as autoridades norte-americanas, os Estados Unidos gastaram desde 1984 mais de 6 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros) nos seus programas de desenvolvimento e combate a doenças de elevado impacto em Moçambique como a sida.


A norte-americana Anadarko é líder de um dos dois consórcios de exploração de gás natural no norte de Moçambique, onde se estima existir uma das maiores reservas do mundo, mas ainda não tomou a sua decisão final de investimento, que pode ter um efeito multiplicador na economia moçambicana.



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