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Inquérito/CGD: Banco pagou dividendos de 2,7 mil ME ao Estado em 10 anos

O antigo ministro das Finanças Guilherme d’Oliveira Martins realçou que o banco público pagou ao acionista 2,7 mil milhões de euros em dividendos entre 1998 e 2008, mais do que o valor dos aumentos de capital feitos no período.

Lisboa, 06 dez (Lusa) – O antigo ministro das Finanças Guilherme d’Oliveira Martins realçou hoje que o banco público pagou ao acionista 2,7 mil milhões de euros em dividendos entre 1998 e 2008, mais do que o valor dos aumentos de capital feitos no período.


“De 1998 a 2008 a Caixa Geral de Depósitos (CGD) pagou em dividendos ao Estado 2,7 mil milhões de euros. Um valor acima dos aumentos de capital realizados no mesmo período”, afirmou o responsável durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco estatal.


“O valor médio da rendibilidade dos capitais próprios [da CGD] foi no mesmo período cerca de 19,8%. Um valor particularmente significativo. E perante os efeitos imediatos do ‘subprime’ [crise imobiliário iniciada nos Estados Unidos (EUA)] atingiu-se o valor mais baixo deste período, 12,6%”, sublinhou.


Guilherme d’Oliveira Martins começou esta audição lançando uma declaração de interesses, ao alertar os deputados que foi nomeado recentemente para presidir ao Conselho Fiscal da CGD.


Ainda assim, como está nas funções há pouco tempo – entrou para o cargo no âmbito da nomeação dos novos membros dos órgãos sociais do banco público, com o Conselho de Administração liderado por António Domingues -, o responsável (cujo mandato termina só em 2019) considerou que esse facto não impede a sua presença na comissão de inquérito, até porque foi chamado na qualidade de antigo ministro das Finanças.


Oliveira Martins destacou aos deputados que esteve na tutela das Finanças durante “um período relativamente curto”, entre agosto de 2001 e julho de 2002.


“Tive um único presidente da CGD, António de Sousa. Mantivemos uma relação permanente e uma pessoa em quem depositei toda a confiança. As minhas relações com a administração da CGD foram sempre com o seu presidente”, vincou.


E destacou: “Nunca o ministro das Finanças, nem o Governo, deu orientações à CGD em matéria de política bancária. A única indicação era o cumprimento escrupuloso da lei e a preservação do prestígio da CGD e do seu papel estratégico na economia nacional”.



DN// ATR


Lusa/fim


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