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Preço do dólar nas ruas de Luanda consolida maior período de estabilidade após crise

O preço para comprar um dólar nas ruas de Luanda continua a contribuir para a consolidação do maior período de estabilidade após a crise em Angola, mantendo-se à volta dos 495 kwanzas (2,80 euros) na última semana.

Luanda, 15 dez (Lusa) – O preço para comprar um dólar nas ruas de Luanda continua a contribuir para a consolidação do maior período de estabilidade após a crise em Angola, mantendo-se à volta dos 495 kwanzas (2,80 euros) na última semana.


Há quase dois meses que o preço no mercado de rua permanece estável, enquanto o acesso a dólares ou euros nos bancos permanece quase impossível ou com limitações. Neste cenário, nacionais e estrangeiros voltam-se para o mercado de rua para comprar divisas, embora a taxas especulativas, que até já estiveram próximas dos 600 kwanzas por cada dólar em agosto e julho, depois de máximos de 630 kwanzas em junho.


Na habitual ronda semanal pelas ruas da capital angolana, a agência Lusa constatou que se mantém a justificação da falta de dólares e de moeda nacional para os preços atuais, segundo as ‘kinguilas’ de Luanda, como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas, um negócio ilegal.


A venda de cada dólar estava hoje fixa nos 495 kwanzas no bairro do São Paulo e nos 490 kwanzas no bairro dos Mártires de Kifangondo, enquanto as ‘kinguilas’ do Maculusso transacionavam a 495 kwanzas e na Mutamba pediam 500 kwanzas pela mesma nota.


Apesar deste período de alguma estabilidade (à volta dos 490 kwanzas), que se regista desde a primeira quinzena de outubro, o mercado paralelo continua a transacionar dólares e euros ainda muito acima do câmbio oficial, de 166 kwanzas.


Também há receios de alguma pressão nas próximas semanas, tendo em conta o período festivo e as habituais viagens para o estrangeiro, com a correspondente aumento de procura de divisas.


A inflação também se ressente desta conjuntura e os preços a 12 meses ultrapassaram, segundo o Instituto Nacional de Estatística angolano, os 41% de aumento, até novembro.


O Banco Nacional de Angola (BNA) garantiu no início de dezembro que não prevê qualquer nova desvalorização do kwanza, face à “tendência de estabilidade” dos preços, contrariando uma recente sugestão do FMI.


“Tendo em conta a tendência de estabilidade do nível geral dos preços e consequentemente a desaceleração da taxa de inflação mensal, o BNA reafirma o seu engajamento na preservação do valor da moeda nacional, razão pela qual, não haverá desvalorização do kwanza”, lê-se num documento do banco central angolano.


Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, tendo desvalorizado o kwanza, face ao dólar, em 23,4% em 2015 e mais 18,4% ainda no primeiro semestre deste ano.


A taxa de câmbio oficial cifra-se atualmente em cerca de 166 kwanzas (93 cêntimos de euro) por cada dólar, quando antes do início da crise das receitas do petróleo, ainda em 2014, era de 100 kwanzas.


“O BNA continuará a disponibilizar as divisas de forma regular ao câmbio de 165,8 Kwanzas por um dólar dos Estados Unidos da América, não havendo necessidade dos operadores do mercado alterarem os preços dos bens e serviços”, garante o banco central.


O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Angola, Ricardo Velloso, defendeu a 16 de novembro, em Luanda, após duas semanas de reuniões, anuais, com as autoridades angolanas, a necessidade de uma “flexibilidade na política cambial” angolana.


Para o economista brasileiro, em função da conjuntura angolana atual – crise provocada pela quebra nas receitas do petróleo e escassez de divisas -, são necessárias novas desvalorizações do kwanza.


“Não recomendámos um número específico e depende um pouco das políticas que dão apoio a essa política cambial mais flexível”, apontou o chefe da missão do Fundo para Angola.


Também o responsável da consultora KPMG para Angola, Vítor Ribeirinho, admitiu a 18 de novembro, em Luanda, que seria de esperar uma nova desvalorização do kwanza no final deste ano, semelhante à aplicada na primeira metade de 2016.



PVJ // JPS


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