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Plano Nacional das Águas em Angola prevê investimentos de 102 mil MEuro até 2040

O Governo angolano divulgou que pretende realizar investimentos públicos na ordem dos 110 mil milhões de dólares (102 mil milhões de euros) no setor águas no país até 2040.

Luanda, 25 jan (Lusa) – O Governo angolano divulgou hoje que pretende realizar investimentos públicos na ordem dos 110 mil milhões de dólares (102 mil milhões de euros) no setor águas no país até 2040.


A informação foi transmitida pelo secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, no final da primeira reunião ordinária do Conselho de Ministros de 2017, orientada em Luanda pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e que aprovou o Plano Nacional da Água.


Apesar de aprovado agora, vários dos projetos que integram este plano estratégico e de investimento já estão em curso, como a construção e reforço de potência nas barragens do rio Kwanza (Laúca e Cambambe).


“O Plano Nacional de Águas vai ser um instrumento orientador, em termos da definição de políticas e estratégias, no que diz respeito à gestão dos recursos hídricos em Angola”, explicou Luís Filipe da Silva aos jornalistas no final da reunião.


Além do Ministério da Energia e Águas, o plano envolve os ministérios da Agricultura e da Indústria, prevendo o seu desenvolvimento até 2040, mas com a programação financeira a sofrer revisões regulares em cada cinco anos.


Não foram adiantados mais pormenores sobre as medidas que constam deste plano.


Segundo o último recenseamento da população, realizado em Angola em 2014, mais de metade dos cerca de 5,5 milhões de agregados familiares, não tem acesso a água “apropriada” para beber e 31,6% têm nas lanternas a forma de iluminação.


O levantamento realizado na altura define como água “apropriada para beber” a proveniente de fontes como torneiras ligadas à rede pública, chafariz públicos, furos com bomba ou nascentes protegidas, incluindo-se neste grupo 43,6% dos agregados familiares.


A disparidade faz-se sentir entre o meio urbano e o rural, em que respetivamente 57,2% (1,9 milhões de famílias) e 22,4% (484 mil famílias) conseguem consumir água tida como segura.


Ainda assim, a água da rede pública com torneira em casa apenas serve 17% dos 5.544.834 agregados familiares (num total de população superior a 25,7 milhões de habitantes, em maio de 2014).


Com um forte défice de produção de eletricidade, face às necessidades, o que leva a constantes constrangimentos no fornecimento, Angola encara ainda a inexistência de redes para abastecer as zonas mais rurais.


O censo refere que o acesso à rede de eletricidade é apenas garantido a 1,7 milhões de casas (31,9%), quase exclusivamente em zonas urbanas, já que na área rural apenas 48.173 agregados familiares são servidos.


O estudo identifica que praticamente ao nível da rede elétrica nacional (essencialmente nos grandes centros), as lanternas são a segundo principal fonte de iluminação. Servem mais de 1,752 de famílias (31,6%) em Angola.


Seguem-se em alternativa os candeeiros (14,3%) e os geradores (9,3%).


Já no saneamento básico – que o estudo considera como sendo a presença em casa de sanitas, pias ou com instalações ligadas a fossas séticas e latrinas – chegará, segundo o primeiro censo realizado em Angola desde a independência, a 60% das famílias, novamente com uma forte disparada entre urbano e rural: respetivamente 81,8 (2,7 milhões de agregados) e 25,9% (559 mil).


Contudo, apenas 1,22% das famílias que moram no meio rural tinham uma sanita ligada à rede pública de esgotos, enquanto nas cidades esse registo sobe para 6%.



PVJ // EL

By Impala News / Lusa


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