Pequenos investidores consideram OPA à EDP natural mas querem saber mais

Pequenos investidores consideram OPA à EDP natural mas querem saber mais

O presidente da associação de pequenos investidores ATM considerou hoje que a OPA da China Three Gorges à EDP “é natural”, mas falta informação sobre as contrapartidas oferecidas, nomeadamente o que acontecerá aos acionistas que decidirem continuar na elétrica.

Lisboa, 12 mai (Lusa) — O presidente da associação de pequenos investidores ATM considerou hoje que a OPA da China Three Gorges à EDP “é natural”, mas falta informação sobre as contrapartidas oferecidas, nomeadamente o que acontecerá aos acionistas que decidirem continuar na elétrica.


“Achamos que a Oferta Pública de Aquisição [OPA] era natural. Acaba por ir de encontro do que reclamamos [em 2012] e mostra que muitas vezes as próprias sociedades são mais rápidas do que a justiça”, disse à Lusa Octávio Viana, presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM).


Segundo o responsável, aquando da reprivatização, há seis anos, a ATM defendeu que a China Three Gorges devia lançar uma OPA sobre a EDP, porque embora não tivesse os 33% que fazia presumir controlo sobre a sociedade, a forma como se comportava em assembleias-gerais e as decisões tomadas implicava um controlo efetivo da empresa, pelo que puseram uma ação no Tribunal de Comércio nesse sentido.


Contudo, acrescentou, acabaram por desistir da ação porque só a notificar a justiça demorou dois anos.


Na sexta-feira à noite a China Three Gorges (que já é o maior acionista da EDP, com 23,27% do capital social) lançou uma Oferta Pública de Aquisição voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, mais 4,82% face ao fecho do mercado na sexta-feira, de 3,11 euros.


Questionado sobre o preço oferecido para os restantes acionistas da EDP aceitarem vender as suas ações da EDP, Octávio Viana disse que a ATM não tem uma posição formal, mas que “o ‘feedback’ que tem tido de investidores, mesmo de institucionais, é de que o preço não reflete as expectativas do que entendiam ser o justo-valor para sair” da empresa.


Ainda assim, afirmou, o preço não é a única contrapartida a considerar e há “outras variáveis” importantes a saber nesta OPA, nomeadamente “saber o plano” da CTG para a EDP, de como “a empresa dominante pretende criar valor para os acionistas numa perspetiva futura”.


“Sabemos o preço para quem quer sair. E para quem quer ficar, é preciso ver o valor r. Se eu não entregar hoje as ações que valor a empresa vai criar para mim?”, questionou, reforçando que também isso é necessário acontecer caso a CTG fique com capital bem superior a 50%, o objetivo mínimo definido.


Sobre a possibilidade de outras empresas contra-atacarem esta operação, fazendo contra-OPA, Octávio Viana disse que a Associação de Pequenos Investidores considera que “existem outros ‘players’ no setor” que podem estar interessados, considerando que alguns até conseguiriam mais sinergias, tendo o controlo da EDP, do que o grupo chinês.


“Era ótimo que houvesse uma OPA concorrente e na nossa perspetiva existem outras sociedades para quem faz sentido”, afirmou, considerando que o mercado das elétricas é muito interessante para as empresas.


O representante desta associação de pequenos investidores recordou o que se passa no Brasil, onde duas grandes energéticas europeias, a italiana Enel e a espanhola Iberdrola, disputam o controlo da Eletropaulo.


Quanto a possíveis entraves ao negócio por a EDP (empresa de distribuição de energia) poder vir a ser controlada pelo Estado chinês, uma vez que a China Three Gorges é pública, quando este já tem o controlo da REN (redes nacionais de transporte de energia), através da empresa pública State Grid, Octávio Viana afirmou que essa é uma questão importante e que o prospeto da OPA tem de referir “os riscos e alterações, nomeadamente de o último beneficiário ser o Estado chinês”.


“É importante quando os acionistas tomam as decisões saberem os riscos e como vão ser acautelados”, vincou.


Por fim, o presidente da ATM considerou que, em recentes processos de OPA, os pequenos acionistas não têm sido bem tratados, recordando o caso do BPI e da Brisa, temendo que o mesmo se passe na EDP.


“Os acionistas minoritários nas OPA não têm sido respeitados e os tribunais não estão preparados, demoram muito tempo”, queixou-se.



IM // HB

By Impala News / Lusa


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