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FMI espera que haja “boas notícias” em Moçambique no primeiro semestre de 2017

O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Maputo espera que haja “boas notícias” em Moçambique no primeiro semestre de 2017 e que o Fundo retome o seu apoio entretanto interrompido devido ao escândalo das dívidas escondidas.

Maputo, 19 dez (Lusa) – O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Maputo espera que haja “boas notícias” em Moçambique no primeiro semestre de 2017 e que o Fundo retome o seu apoio entretanto interrompido devido ao escândalo das dívidas escondidas.


“Esperamos ter boas notícias na primeira metade de 2017”, afirmou Ari Aisen, aos jornalistas, à margem de uma cerimónia no Banco de Moçambique.


Aisen recordou que uma missão do Fundo esteve em Maputo no início do mês e manteve “muito boas conversas no Ministério das Finanças”, que levam o Fundo a sentir que “há um compromisso em pensar em fórmulas de consolidar os gastos fiscais e ao mesmo tempo investir na parte tributária, para aumentar um pouco a arrecadação”.


No próximo ano, as conversas vão prosseguir, ao mesmo tempo que decorre uma auditoria internacional independente às três empresas beneficiadas pelas dívidas escondidas, e cuja conclusão está prevista para fevereiro.


“Obviamente que o término da auditoria é fundamental e é difícil agora descrever exatamente quando esse processo vai terminar mas estamos esperando boas notícias”, insistiu Ari Aisen, que manifestou ainda o desejo de que 2017 seja em Moçambique “um ano um pouco mais fácil do que 2016”.


O representante do Fundo falava à margem do encerramento do ano económico e perspetivas para 2017 do Banco de Moçambique, no qual o governador da instituição, Rogério Zandamela, apontou uma previsão de redução da inflação média para 14% e aumento do crescimento económico para 5,5%.


A missão do FMI a Maputo advertiu no início do mês que Moçambique precisará de mais medidas de ajuste macroeconómico em 2017, apontando a contenção salarial e a eliminação gradual dos subsídios gerais a bens de consumo.


A missão do FMI saudou o “ambiente construtivo e de colaboração” do diálogo com as autoridades moçambicanas, bem como o “bom progresso em várias questões técnicas”, mas avisou que serão necessários mais ajustes de consolidação da estabilidade macroeconómica e financeira, de modo a abrir espaço para um novo programa apoiado pelo Fundo.


Em concreto, a missão do FMI apontou a necessidade de uma “atenção especial à contenção da expansão da folha salarial e eliminação gradual dos subsídios gerais aos preços”.


O FMI e os doadores do Orçamento do Estado suspenderam a ajuda a Moçambique em abril deste ano, no seguimento da divulgação de empréstimos escondidos garantidos pelo Governo, entre 2013 e 2014, no valor de mais de 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), e que se somaram aos encargos já conhecidos da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), contratados em igual circunstância.


O Governo moçambicano assumiu, a 25 de outubro, incapacidade financeira para pagar as próximas prestações dos seus encargos com os credores, defendendo uma reestruturação dos pagamentos, indispensável para um novo programa do FMI, cujas regras impedem a ajuda a países numa trajetória insustentável da dívida, como é o caso de Moçambique.


A missão do Fundo “acolheu favoravelmente” o acordo para a realização de uma auditoria independente às empresas estatais beneficiadas pelas dívidas escondidas, e que os próprios credores colocam como condição para renegociar os encargos



HB // EL


Lusa/Fim.


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