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Crise dificulta acesso aos cabazes de Natal em Angola

Um cabaz simples de produtos de Natal passou este ano a custar, nas grandes superfícies de Luanda, entre 30.000 e 70.000 kwanzas (170 a 400 euros), dificultando o acesso à maioria da população.

Luanda, 20 dez (Lusa) – Um cabaz simples de produtos de Natal passou este ano a custar, nas grandes superfícies de Luanda, entre 30.000 e 70.000 kwanzas (170 a 400 euros), dificultando o acesso à maioria da população.


Numa ronda da agência Lusa por supermercados da capital angolana foi possível constatar que para clientes mais exigentes há cabazes recheados com bebidas espirituosas, vinhos, enchidos, bolo-rei, guloseimas, batatas, congelados, produtos da cesta básica, iguarias e até grades de refrigerantes, chegando aos 375.000 kwanzas (2.150 euros).


Devido à crise económica em Angola e à dificuldade da aquisição de divisas para a importação de produtos, algumas superfícies optaram até por não disponibilizar estes tradicionais cabazes aos clientes, individuais e de empresas.


Uma destas unidades, a rede Maxi, optou não comercializar cabazes, físicos, mas sim cartões que vão desde os 15.000 aos 250.000 kwanzas (86 a 1.400 euros), com o propósito de “o cliente criar o seu próprio cabaz”.


“Pelo menos a adesão aos mesmos tem sido razoável e cada um compra ao alcance do seu bolso” explicou a assistente de vendas, Rosa Moniz.


Contudo, alguns clientes dessa superfície comercial consideram que os preços dos cartões de cabazes não são compatíveis com os seus rendimentos, daí que optam em adquirir apenas o essencial.


“O salário já é pouco, por isso compramos apenas aquilo que necessitamos e para este ano o cabaz não faz parte das minhas opções”, assumiu à Lusa Claudete Gaspar, uma jovem professora de Luanda.


Já no hipermercado da rede Candando, os cabazes estão “em promoção” diária.


Um cabaz tradicional de bebidas e alimentação esta a ser comercializado no valor de 19.000 kwanzas (110 euros), sendo o mais caro o de 100.000 kwanzas (570 euros).


João Paulo, funcionário público, vê estes preços nas grandes superfícies de Luanda e concluiu que prefere “não pensar em cabaz neste ano”.


“Porque apesar de não estarem assim tão caros o que falta é mesmo o dinheiro para a sua aquisição”, admitiu.


Noutra zona de Luanda, o hipermercado Kero disponibiliza na sua montra cabazes cujos preços vão desde os 8.000 kwanzas (46 euros) de um cabaz com produtos da cesta básica aos 375.000 kwanzas (2.150 euros) para o cabaz ‘premium’.


“Aqui, pelo menos, penso que o preço dos cabazes está razoável, Vou levar 30 cabazes de 8.000 e 12.000 kwanzas para uma empresa porque há supermercados que não estão a vender cabazes”, observou, em conversa com a Lusa, Wilson Cardoso.


No Martal, um dos mais antigos supermercados da capital angolana, os cabazes de Natal passaram a ser feitos apenas por encomenda, direcionados preferencialmente para empresas e instituições públicas, devido a atual inflação de preços no mercado angolano.


“Nós preparamos o cabaz por encomenda, de acordo com o valor que o cliente quer gastar. Daí que não lhe posso dizer que os nossos cabazes sejam os mais caros ou mais baratos”, sustentou Jorge Fonseca, diretor comercial.



DYAS // VM


Lusa/Fim


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