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Confederação da Agricultura contra privatização da água

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) afirmou que está contra a privatização do recurso água, considerando que tal leva ao seu encarecimento para uso agrícola.

Lisboa, 24 jan (Lusa) — A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) afirmou hoje que está contra a privatização do recurso água, considerando que tal leva ao seu encarecimento para uso agrícola.


“Somos contra a privatização do recurso ‘água’ e a privatização à larga escala da gestão do recurso água”, disse o dirigente da CNA João Dinis, à saída da reunião com o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, em Lisboa.


O responsável frisou que “a água é um bem público de enormíssima importância para a vida das pessoas e para a agricultura” e que o custo da água para rega “tem de ser muito baixo”.


“Não houve uma clarificação da parte do senhor ministro, além de dizer que é necessário ter [água] e que a água continua a ser muito barata para uso agrícola (…). O ministro do Ambiente contrapôs dizendo que se tem de ter muito cuidado com o gasto de água por ser um bem escasso”, relatou.


João Dinis reforçou que com “a mercantilização do bem público água” corre-se o risco de encarecimento deste recurso para uso agrícola.


Na reunião com o ministro do Ambiente, João Dinis disse que também abordou as questões das alterações climáticas e do mercado dos carbonos.


“Constatámos que já está a haver alguma transferência de fundos do Ministério do Ambiente e do Orçamento do Fundo Ambiental para o Programa de Desenvolvimento Rural 2020, que é da tutela do Ministério da Agricultura”, disse.


O responsável disse que perguntou ao ministro “se há um plano B”, ou seja, o que fará o ministério se “não vier” a verba superior a 100 milhões de euros que está “prevista no seu orçamento e que deve vir destes fundos dos carbonos”.


“O senhor ministro dirá que o Orçamento do Estado terá de responder também a esse problema se esse problema se colocar”, disse, acrescentando que “há um plano B, mas é insuficiente” e que “é errado e um perigo mercantilizar-se também o mercado dos carbonos”.


“A mercantilização dos carbonos está a caminho de dar mau resultado, já deu, porque está sujeita à especulação e certamente vai dar pior, porque o novo Presidente dos Estados Unidos [Donald Trump] já foi pôr em causa todos os acordos que subscreveram nesta área do controlo dos carbonos e das alterações climáticas”, disse.


João Dinis alertou para o facto de não se saber qual o valor que tal mercado vai ter, uma vez que a política anunciada pelo novo Presidente dos Estados Unidos é a da liberalização completa.


O ministro do Ambiente não prestou declarações no final da reunião.



JMG // CSJ

By Impala News / Lusa


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