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Abílio Araújo saúda aceitação de oferta de compra da participação da Oi na Timor Telecom

O empresário timorense Abílio Araújo mostrou-se hoje satisfeito com o facto da proposta para compra da participação da Oi na Timor Telecom, feita pelo grupo Investel, que lidera, ter sido aceite pela operadora brasileira.

Díli, 17 dez (Lusa) – O empresário timorense Abílio Araújo mostrou-se hoje satisfeito com o facto da proposta para compra da participação da Oi na Timor Telecom, feita pelo grupo Investel, que lidera, ter sido aceite pela operadora brasileira.


Contactado telefonicamente fora de Timor-Leste – está em viagem de trabalho – Abílio Araújo disse ter já recebido “uma carta formal da Oi” mas confirmou não saber ainda o calendário para a concretização da operação, que está pendente, numa primeira fase de autorização judicial.


“A nossa proposta foi aceite e estamos satisfeitos e estamos apenas a aguardar a luz verde do juíz para que todo o processo possa avançar”, disse, saudando o facto de a solução implicar que a operadora ficará controlada por mãos timorenses.


“Desde o princípio que sempre defendi essa opinião mas a decisão não dependia da vontade dos timorenses, dependida do dono, do vendedor”, recordou.


Abílio Araújo disse que depois de assumir a direção da Timor Telecom um dos primeiros passos será uma reunião “com o Governo timorense para apresentar os planos a curto, médio e longo prazo” e depois uma reunião com a Autoridade Nacional das Comunicações”.


Uma das questões que será discutida na reunião com o executivo é a dívida do Estado à Timor Telecom, que segundo a empresa ascende atualmente a cerca de 9 milhões de dólares.


“O Governo também é acionista, também tem que assumir a sua parte. Esta situação não pode continuar assim. Já tive várias reuniões com vários responsáveis governamentais e agora creio que vamos chegar a um entendimento, vamos chegar a encontrar formas de cooperação para que esta questão se resolva o mais cedo possível”, disse.


“Vamos também fazer visitas de cortesia às outras duas operadoras do mercado, a Telkomcel (indonésia) e a Telemor (vietnamita) para nos apresentarmos como um parceiro que vai querer, de facto, uma cooperação entre todos na base da lei, na base de satisfazer o mercado dos consumidores”, disse.


O responsável do grupo Investel disse que já foi delineado um “plano de investimento para reforçar a capacidade da Timor Telecom a curto e médio prazo” que passa por reforçar pontos de ligação para “garantir a cobertura total” do território timorense.


“Sabemos da situação da internet, da banda larga. São situações em que temos que investir. Estes e outros investimentos estão nos nossos planos”, disse.


“Mas neste momento a nossa preocupação é de facto conter os custos e racionalizar todos os serviços para que possamos preparar-nos para saltos mais à frente”, explicou.


A Oi anunciou esta semana ter solicitado autorização judicial para vender a sua participação na Timor Telecom ao grupo Investel Communications Limited, que é chefiado por Abilio Araújo e conta com investidores da China e do Médio Oriente, por 62 milhões de dólares (58,3 milhões de euros).


“A Oi, após processo competitivo de venda, recebeu proposta da Investel Communications Limited de aquisição das participações direta e indireta na Timor Telecom no valor de aproximadamente 36 milhões de dólares (33,8 milhões de euros), além do pagamento de dívidas da Timor Telecom com empresas do grupo Oi no valor de 26 milhões de dólares” (24,4 milhões de euros), explica a nota da Oi.


Até ao prazo limite dado pela empresa, a 08 de outubro, a Oi tinha recebido três ofertas “firmes e vinculativas” para compra da sua participação na Timor Telecom.


Duas das três ofertas foram feitas por grupos liderados por empresários timorenses e a terceira por um fundo de pensões das Fiji.


Os dois timorenses interessados no negócio eram Abílio Araújo, responsável pelo grupo Investel Communications Limited – que tem sócios e capital do Médio Oriente e China – e Nilton Gusmão, do grupo ETO.


Questionado sobre eventuais colaborações futuras com o grupo ETO, Abílio Araújo disse que há espaço para o envolvimento da empresa de Nilton Gusmão em vários dos produtos da operadora timorense.


“O processo já terminou, nós ganhámos e estamos prontos para ver com ele os planos. Há vários produtos que a Timor Telecom pode apresentar e há vários produtos em relação aos quais poderá estar muito interessado”, disse.


“Podemos sempre encontrar formas de valorizar e levar a uma maior participação dos timorenses neste projeto”, sublinhou.


Em causa está a maior fatia de capital da TT (54,01%), controlada pela sociedade Telecomunicações Públicas de Timor (TPT), onde, por sua vez, a Oi controla 76% do capital, a que se soma uma participação direta da PT Participações SGPS de 3,05%.


Os restantes acionistas da TPT são a Fundação Harii – Sociedade para o Desenvolvimento de Timor-Leste (ligada à diocese de Baucau), que controla 18%, e a Fundação Oriente (6%).


Na TT, o capital está dividido entre a TPT (54,01%), o Estado timorense (20,59%), a empresa com sede em Macau VDT Operator Holdings (17,86%) e o empresário timorense Júlio Alfaro (4,49%).



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