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Diretor do gabinete de acidentes com aeronaves diz que exoneração é ato de “saneamento”

O diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), Álvaro Neves, disse que foi “saneado habilidosamente” do cargo pelo Governo e garante que vai lutar pela defesa da sua imagem e integridade profissional.

Lisboa, 13 jan (Lusa) — O diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), Álvaro Neves, disse hoje que foi “saneado habilidosamente” do cargo pelo Governo e garante que vai lutar pela defesa da sua imagem e integridade profissional.


O Ministério do Planeamento e das Infraestruturas anunciou na quinta-feira a decisão de fundir o GPIAA com o seu congénere ferroviário (GISAF) num organismo único, e a consequente exoneração do diretor do GPIAA “com base no desrespeito do Estatuto do Pessoal Dirigente (do Estado), nomeadamente a observação das determinações do Governo”.


“Foi com estupefação e estranheza que encarei a frieza e o desprezo do senhor secretário de Estado das Infraestruturas, numa comunicação bizarra e surrealista, dando a entender que a solução mais óbvia seria colocar o meu lugar à disposição. Como discordei perentoriamente, disse que, se essa era a intenção da tutela, que me apresentassem a exoneração. Estava tudo preparado para o desfecho de me sanearem habilidosamente, alegando que eu não estava alinhado com o projeto da tutela para o GPIAA”, contou Álvaro Neves, à agência Lusa.


O diretor do GPIAA refere que esta decisão do Governo prova que “os dirigentes jamais podem pensar pela sua própria cabeça, mas somente fazerem de conta que tudo vai bem para estarem alinhados com o poder político”, e assegura que vai lutar pela reposição da verdade.


“Irei, de acordo com da lei, contestar este projeto de despacho e não permitirei que o meu trabalho de três anos seja desfeito e revertido para o ano zero novamente. As minhas convicções levam-me a seguir todas as hipóteses possíveis para a minha defesa e integridade como profissional. A minha imagem foi prejudicada com esta tomada de decisão nestes termos e lutarei pelo esclarecimento da verdade”, vincou Álvaro Neves.


O responsável pelo GPIAA relata que, na reunião com o secretário de Estado Guilherme d´Oliveira Martins, a estupefação deu depois lugar à perplexidade quando foi confrontado com o texto da proposta de projeto de despacho para a sua exoneração.


“Não deve haver nada mais inglório do que acabar três anos de sacrifício e dedicação à causa da prevenção e segurança na aviação civil num gabinete de uma secretaria de Estado de um ministério do nosso país a ser acusado de ter desrespeitado o dever de lealdade como dirigente de um organismo público”, lamentou Álvaro Neves.


O diretor do GPIAA acusa ainda o Ministério do Planeamento, que tutela o GPIAA, de nunca ter respondido, dado instruções ou explicações ao organismo que dirige.


“O silêncio foi atroz e até hoje nada me foi dado a conhecer. Não deve haver nada mais inglório do que ter de enfrentar sozinho governantes que nunca se dignaram em apresentar, durante o tempo de tutela, qualquer indicação de orientação para o organismo que dirijo, sem uma única palavra de explicação, de apoio e de solidariedade de quem devia e podia, pelo menos, sobre o trabalho competente que foi desenvolvido”, frisou.


Álvaro Neves considera que foi “destratado, desconsiderado, humilhado e quase coagido” a assinar a notificação de como tomou conhecimento do despacho de exoneração.


“Considerei um défice democrático enorme no modo escolhido pela tutela em lidar com o processo GPIAA: com prepotência e arrogância. Considero dever-se tirar ilações políticas e, por que não, públicas deste tipo de comportamento”, defendeu o diretor do GPIAA à Lusa.



JGS // CSJ


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