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Cientistas confirmam que não houve pausa no aquecimento global entre 1998 e 2014

Um estudo divulgado na quarta-feira negou a existência de uma alegada pausa no aquecimento global entre 1998 e 2014, confirmando um estudo controverso sobre as temperaturas dos oceanos datado de 2015.

Washington, 05 jan (Lusa) – Um estudo divulgado na quarta-feira negou a existência de uma alegada pausa no aquecimento global entre 1998 e 2014, confirmando um estudo controverso sobre as temperaturas dos oceanos datado de 2015.


No estudo agora publicado na revista científica Science Advances, os cientistas da Universidade da Califórnia, nos EUA, e da Universidade de York, no Reino Unido, corroboraram os resultados do relatório de 2015 da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês).


O estudo da norte-americana NOAA tinha demonstrado que a teoria de que teria havido um hiato no aquecimento global estava errada, devendo-se apenas a uma alteração do método de medição das temperaturas da superfície do mar, que passou a ser através de boias e não de navios.


Segundo a agência norte-americana, as boias registam temperaturas ligeiramente mais baixas do que os sistemas antigos, baseados em barcos, pelo que a mudança de método tinha escondido algum do aquecimento real no período entre 1998 e 2014.


A conclusão provocou então a indignação de alguns cientistas, que insistiram ter havido de facto um “hiato no aquecimento global” e de críticos que consideram o aquecimento global uma farsa.


A Câmara dos Representantes, nos EUA, controlada pelo partido Republicano, pediu mesmo aos cientistas da NOAA que fornecessem aos legisladores as suas trocas de correspondência sobre a investigação.


A agência estatal aceitou disponibilizar dados e responder a questões científicas, mas recusou-se a disponibilizar os emails dos autores do estudo, uma decisão aplaudida pelos cientistas, que temiam interferência política.


“Os nossos resultados mostram que essencialmente a NOAA acertou, não estavam a cozinhar os resultados”, disse Zeke Hausfather, autor principal do novo estudo agora publicado.


Num relatório publicado em setembro de 2013, o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas concluiu que o aquecimento global médio entre 1951 e 2012 tinha sido de 0.12 graus centígrados por década, mas entre 1998 e 2012 tinha ficado nos 0,07 graus centígrados, indicando um “hiato no aquecimento global”.


A análise de 2015 da NOAA, ajustada para corrigir o desvio provocado pelas medições com boias, concluiu que não havia um abrandamento detetável no aquecimento nos últimos 15 anos.


No artigo publicado então na revista Science, os cientistas da NOAA escreveram que os oceanos tinham de facto aquecido 0,12 graus Celsius por década desde 2000, quase o dobro da estimativa original de 0,07 graus.


Os novos números levaram a taxa de subida da temperatura do oceano a ficar em linha com as estimativas para os 30 anos anteriores, entre 1970 e 1999.


O novo estudo usa dados independentes de satélites e flutuadores Argo, um sistema mundial de localização e recolha baseado em satélites, assim como de boias.


A temperatura da superfície dos oceanos tem sido reconhecida como um indicador do aquecimento global e os dados recolhidos em diversas medições têm registado consistentemente uma taxa crescente de aquecimento.



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