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Universidade de Aveiro considera que reintrodução de veados na Serra da Lousã travou extinção da espécie

O coordenador da Unidade Vida Selvagem da Universidade de Aveiro (UA) considerou um sucesso a reintrodução de veados na Serra da Lousã, que estavam extintos naquele território desde meados do Século XIX.

Lousã, Coimbra, 14 jan (Lusa) – O coordenador da Unidade Vida Selvagem da Universidade de Aveiro (UA) considerou hoje um sucesso a reintrodução de veados na Serra da Lousã, que estavam extintos naquele território desde meados do Século XIX.


“Há mais de 3.000 veados a viver em estado selvagem na Serra da Lousã e áreas envolventes, descendentes de cerca de uma centena de animais reintroduzidos na serra no final dos anos 90”, congratulou-se o biólogo Carlos Fonseca, citado num comunicado da UA, no balanço à reintrodução daquela espécie.


Entre 1995 até 2004, foram reintroduzidos 120 animais nos concelhos da Lousã, Figueiró dos Vinhos, Penela, Miranda do Corvo, Góis, Castanheira de Pera e Pampilhosa da Serra, provenientes da Zona de Caça Nacional da Contenda e da Tapada de Vila Viçosa.


Segundo Carlos Fonseca, mais de 20 anos depois “os resultados obtidos demonstram que a reintrodução de veados na serra da Lousã foi um sucesso, não só pela sua sustentabilidade biológica e ecológica, como também pelo número de efetivos e a área de distribuição atuais”.


O objetivo, explica, era devolver à Serra da Lousã uma espécie “emblemática extinta por ação do homem e voltar a ter na Região Centro de Portugal aqueles animais em estado selvagem”.


De acordo com o comunicado, uma equipa de investigadores do Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA publicou um artigo num jornal internacional em que, além de apontar o enorme crescimento da população de veados ao longo do tempo, sublinha também o sucesso relativamente à vasta distribuição geográfica dos animais.


“A área de distribuição atual, superior a 90 mil hectares, é fruto da expansão dos veados em várias direções, com especial destaque para Nordeste, ao longo da Cordilheira Central em direção à Serra da Estrela, estando limitada a norte pelo rio Mondego e a sul pelo rio Zêzere”, escreveu a bióloga Ana Valente, uma das autoras do artigo, citada na nota.


A investigadora lembrou o “potencial económico, cinegético e turístico” que atualmente os animais representam para os concelhos da Serra da Lousã e para toda a região envolvente, salientando que a atividade cinegética é hoje um importante motor de desenvolvimento.


“Há também o ecoturismo, com destaque para a época de acasalamento que ocorre entre setembro e outubro, e que todos os anos atrai centenas de pessoas à serra”, sublinhou Ana Valente.


Por outro lado, o biólogo Carlos Fonseca alerta para a necessidade da gestão dos conflitos com as populações provenientes do aumento de distribuição do veado, que têm provocado danos, sobretudo no setor agrícola, junto a várias localidades da Serra da Lousã.


Para o coordenador da Unidade Vida Selvagem da UA, “esta gestão de conflitos tem de ser encarada como prioritária, numa perspetiva conciliadora que tenha em conta os interesses das populações lesadas e dos animais, não esquecendo todo o potencial que esta serra tem para oferecer”.


Carlos Fonseca adiantou que a monitorização da UA sobre os veados vai continuar no terreno, de modo a perceber-se continuamente as tendências populacionais e recomendar ações de gestão de acordo com indicadores biológicos e sanitários.


Paralelamente, acrescenta, “há que ter em mente estratégias de gestão integrada a nível social, onde participem as autarquias, o poder central, as unidades e centros de investigação, as associações, federações e empresas ligadas à atividade cinegética e ao turismo”.



AMV // JLG



Lusa/fim


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