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Realizadora alemã Maria Schrader surpreendida com qualidade de atores portugueses

A realizadora alemã Maria Schrader mostrou-se surpreendida com a qualidade dos atores portugueses que dirigiu no filme sobre o exílio do escritor Stefan Zweig no Brasil, país onde se passa a história, mas onde a equipa nunca filmou.

Lisboa, 24 jan (Lusa) – A realizadora alemã Maria Schrader mostrou-se surpreendida com a qualidade dos atores portugueses que dirigiu no filme sobre o exílio do escritor Stefan Zweig no Brasil, país onde se passa a história, mas onde a equipa nunca filmou.


Nenhuma das cenas de “Stefan Zweig — Adeus, Europa”, sobre o exílio do escritor judeu austríaco durante o nazismo, foi filmada no Brasil, tendo as cenas sido rodadas parcialmente em Portugal, com recurso a “excelentes” atores portugueses que fizeram de brasileiros, contou Maria Schrader, em entrevista à agência Lusa.


O filme, interpretado por Josef Hader (no papel de Stefan Zweig), Aenne Schwarz (Lotte, mulher do escritor) e Barbara Sukowa (a sua primeira mulher), conta com uma série de atores portugueses no elenco, entre os quais João Lagarto, Virgílio Castelo, Carla Vasconcelos, Maria Vieira e Nicolau Breyner, que morreu no ano passado, num dos seus últimos papéis no cinema.


Questionada sobre a razão da escolha de atores portugueses para o filme, Maria Schrader foi perentória: “Porque o fazem tão bem, os atores portugueses são tão bons”.


Contudo, nada no filme diz respeito a Portugal ou a personagens portuguesas, pelo que seria mais expectável ver atores brasileiros a desempenhar aqueles papéis, mas a verdade, confessa a realizadora, é que nunca esteve no Brasil.


“Não poderia ser possível gravar lá, por várias razões. É um país muito próspero e não poderíamos filmar lá como filmámos em África. A casa histórica de Stefan Zweig está rodeada de edifícios modernos, teria custado muito mais dinheiro e este não é um filme rico, seria impossível atravessar o Atlântico para este filme”, explicou.


A forma como chegaram à alternativa, passou pela ajuda de uma produtora portuguesa que lhe foi recomendada por uns amigos produtores alemães.


“Chegámos aqui e foi muito impressionante e muito bonito o que encontrámos aqui: encontrámos uma produtora maravilhosa [Cinemate] encontrámos São Tomé e Príncipe, com a ajuda da produtora, encontrámos metade da nossa equipa, filmámos a parte de Buenos Aires aqui, filmámos na casa do presidente da Câmara de Lisboa, e encontrei atores que nunca tinha visto”.


A relação estabelecida desta forma com os atores portugueses que desempenharam papéis no seu filme foi particularmente surpreendente para Maria Schrader.


“Gostei muito de conhecer atores que nunca tinha conhecido antes e que não sabia se eram ou não famosos. Apenas nos conhecemos e fiquei muito impressionada porque todos eles já tinham filmado no Brasil, conheciam as diferenças da língua e sabiam fazer muito bem o sotaque brasileiro”.


O filme “Stefan Zweig — Adeus, Europa” tem antestreia hoje, no encerramento da KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã, e estreia nacional a 23 de fevereiro, quando passam 75 anos sobre a morte do escritor.



AL // MAG

By Impala News / Lusa


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