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Parteiras tradicionais ainda são solução para milhares de mães em Angola

Dificuldades económicas, a tradição ou a simples ausência de maternidades nas proximidades ainda levam milhares de mulheres angolanas a darem à luz em casa, recorrendo a parteiras tradicionais, voluntárias e as mais experientes de cada zona.

Luanda, 28 jan (Lusa) – Dificuldades económicas, a tradição ou a simples ausência de maternidades nas proximidades ainda levam milhares de mulheres angolanas a darem à luz em casa, recorrendo a parteiras tradicionais, voluntárias e as mais experientes de cada zona.


É o caso de Vitória Mário, parteira tradicional desde os 28 anos e que ainda hoje, com 45 anos, se dedica a ajudar gestantes a dar à luz, na respetiva comunidade, nos arredores de Luanda, sempre que solicitada, entre as restantes ocupações que tem.


“Primeira coisa é ver como está a gestante, dar um carinho, perguntar quais os sintomas que tem, quantos meses de gestação. Se o bebé estiver em condições, assumimos a responsabilidade de realizar o parto”, conta, à conversa com a agência Lusa.


Contudo, longe vão os tempos em que o parto era feito em qualquer situação: “Se não estiver em condições, nós enviamos para o hospital”, garante.


Os anos de experiência de Vitória Mário correspondem a quase duas dezenas de partos que realizou “com sucesso”, pelo que esta parteira tradicional assume-se satisfeita.


“Fiz nesses anos um total de 17 partos e todos correram bem. A minha alegria é maior quando vejo crescer e brincar as crianças que ajudei a nascer. O que ganhamos em troca é a alegria da família, quando nasce a criança. E isso não tem preço”, acrescenta.


Em vários pontos de Angola, sem estradas e a dezenas de quilómetros da povoação mais próxima, estas parteiras tradicionais, com outras ocupações, ainda são a única solução para milhares de mães.


Madalena Vicente, outra parteira tradicional, de 38 anos, explica que apesar de a atividade não ser profissional, exige o cumprimento de várias responsabilidades. Como saber se a gestante efetuou todas as consultas pré-natais antes mesmo de realizar o parto, informações que servem para avaliar o estado em que se “encontra a mãe e o bebé”.


“Daí que, quando recebemos a parturiente, tratamo-la com carinho e por aí conseguimos saber as análises que fez durante a gravidez, as consultas que fez, quando concluiu. Tudo para evitar problemas ou consequências durante o período do bebé nascer”, explica.


Satisfeita com o trabalho, uma espécie de voluntariado social, esta parteira tradicional, com sete anos de experiência, já realizou quase dez “partos saudáveis”.


“Nas comunidades periféricas somos muito solicitadas. Por isso é que resolvemos aceitar qualquer formação que nos ajude a obter novas experiências e aumentar os nossos conhecimentos”, confessa Madalena Vicente.


Numa ação concertada com o Governo e as autoridades da província, as parteiras tradicionais de Luanda estão a ser formadas para ajudar no registo de nascimento de mais de 480.000 crianças com menos de cinco anos, que continuam sem identificação, problema que afeta várias províncias de Angola.


Juntamente com a Nigéria, Angola o maior produtor de petróleo em África, com cerca de 1,7 milhões de barris de crude por dia, mas o último relatório anual da Organização Mundial de Saúde, lançado em maio passado, é o país que apresentou a segunda mais baixa esperança de vida em 2015, figurando na cauda da tabela da mortalidade infantil mundial.


Segundo o documento, a esperança média de vida à nascença em Angola cifrou-se nos 52,4 anos, apenas à frente da Serra Leoa, com 50,1 anos.


Aquela organização das Nações Unidas concluiu igualmente que por cada 1.000 nados vivos morrem em Angola 156,9 crianças até aos cinco anos, apresentando por isso a mais alta taxa de mortalidade mundial em 2015. Além disso, em cada 100.000 nados vivos em Angola morrem 477 mães, neste caso distante da Serra Leoa, onde para a mesma proporção morrem 1.360 mulheres.



DYAS/PVJ // VM

By Impala News / Lusa


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