Museu da Música estreia recém-restaurado cravo Taskin de 1782 em ciclo de concertos

Museu da Música estreia recém-restaurado cravo Taskin de 1782 em ciclo de concertos

O recém-restaurado cravo Taskin, de 1782, o piano de Lizst e uma tiorba de 1608 protagonizam o ciclo “Um Músico, Um Mecenas”, no Museu Nacional da Música, em Lisboa, que se inicia na próxima sexta-feira.

Lisboa, 13 mai (Lusa) — O recém-restaurado cravo Taskin, de 1782, o piano de Lizst e uma tiorba de 1608 protagonizam o ciclo “Um Músico, Um Mecenas”, no Museu Nacional da Música, em Lisboa, que se inicia na próxima sexta-feira.


A diretora do museu, Graça Mendes Pinto, em declarações à agência Lusa, defendeu a importância de a coleção manter a dinâmica, de os instrumentos serem tocados e de os dar a conhecer “da forma mais aproximada do seu contexto musical”.


“É importante saber como soam os instrumentos, e daí terem de estar nas melhores condições, aproveitando para divulgar as composições da época [a que instrumentos pertencem]”, disse.


Iniciativas como este ciclo têm aproximado diferentes públicos do Museu, disse a responsável, realçando o “capital de afetividade” que acumula, e que possibilita outras ações a favor da coleção, e que “são mecenato”.


O recital de abertura coincide com o Dia Internacional dos Museus, mas, até dezembro, o ciclo totalizará oito concertos. Um coincide com o Dia Mundial da Música, 01 de outubro, e, outro, com o dia de Santa Cecília, patrona dos músicos, 22 de novembro.


Na próxima sexta-feira, às 18:00, Varoujan Bartikian toca o violoncelo Stradivarius de 1725, classificado como Tesouro Nacional. O instrumento pertenceu ao rei D. Luís (1838-1889), que era violoncelista, e é o único instrumento com a assinatura do construtor Antonio Stradivari existente em Portugal. É também conhecido como “Violoncelo Chevillard”, por ter pertencido ao violoncelista belga Pierre Chevillard (1811-1877).


Este instrumento tem a chamada “forma ‘B’, a mais célebre entre as utilizadas por Antonio Stradivari”, correspondente a 1707-1726, apontado como o período de ouro do construtor de Cremona, em Itália.


O violoncelo tem sido regularmente usado em atuações de músicos consagrados, como Pavel Gomziakov. No ano passado, no Dia Internacional dos Museus, foi tocado por Maria José Falcão.


Neste recital, em que serão interpretadas sonatas de Johannes Brahms e Benjamin Britten, o violoncelista da Orquestra Gulbenkian Varoujan Bartikian é acompanhado por Lucjan Luc, que tocará o piano Bechstein de 1925, que pertenceu ao compositor Luiz de Freitas Branco.


O segundo recital, no dia 16 de junho, é protagonizado pela violinista Veronika Schreiber, que vai usar um instrumento construído por Joaquim José Galrão, datado de 1794, e Duarte Pereira Martins, que também vai tocar também o piano de Luiz de Freitas Branco. O programa é constituído por peças de Handel, Mozart e Beethoven.


O recital de julho, com data a anunciar, marcará a estreia do cravo Taskin, de 1782, depois do recente restauro, não tendo o museu desvendado o músico convidado.


No dia 04 de agosto, Vinicius Perez apresenta-se em recital com a tiorba de Buechenberg, de 1608.


Em setembro, no dia 15, é a estreia do cravo Antunes de 1789, também restaurado recentemente, que estabelecerá um diálogo com o outro cravo Antunes da coleção do museu, de 1758, já classificado como Tesouro Nacional.


O recital, intitulado “A Due Cembali – Os Irmãos Antunes”, é protagonizado pelos músicos José Carlos Araújo e Miguel Jalôto.


O cravo recentemente restaurado é do construtor João Baptista Antunes, o outro é de autoria de Joaquim José Antunes.


O violoncelo Stradivarius volta ser tocado no Dia Mundial da Música, 01 de outubro, agora por Gomziakov – que já gravou com este instrumento -, e que vai interpretar canções populares espanholas, com o guitarrista clássico Ricardo Barceló.


Em 22 de novembro, Cremilde Rosado Fernandes protagoniza um recital com obras de Sousa Carvalho, Marcos Portugal, Francisco Xavier Baptista, Frei Manuel de Santo Elias e João Cordeiro da Silva, no cravo Antunes de 1789.


A estreia do piano que pertenceu a Franz Liszt, atualmente em restauro, para o encerramento do ciclo, em dezembro, com data e pianista a anunciar.


Em janeiro e fevereiro de 1845 Franz Liszt esteve em Lisboa, tendo tocado no Teatro S. Carlos e em recitais privados para a corte e a família real.


O compositor e pianista de origem húngara trouxe consigo um piano fabricado em Marselha pela oficina Boisselot et Fils, que foi adquirido por D. Maria II para o professor de música dos infantes, Manuel Inocêncio Liberato dos Santos.


Mais tarde, este piano foi comprado aos herdeiros do professor pelo Conservatório Nacional e associado ao acervo histórico do seu Museu Instrumental, na base do atual Museu da Música.



NL // MAG

By Impala News / Lusa


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