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Marcelo alerta que Europa está a meio da ponte e tem de decidir se avança

O Presidente da República afirmou em Coimbra que a Europa tem um tempo limitado para se definir e para decidir se “quer avançar ou quer ficar a meio da ponte”, apelando também a uma renovação das organizações internacionais.

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Coimbra, 28 dez (Lusa) – O Presidente da República afirmou hoje em Coimbra que a Europa tem um tempo limitado para se definir e para decidir se “quer avançar ou quer ficar a meio da ponte”, apelando também a uma renovação das organizações internacionais.


Abordando a “revolução” que está a alterar de forma substancial o modo de vida das sociedades, Marcelo Rebelo de Sousa fez vários apelos, alertando para os riscos das mensagens simples e primárias que ganham adesão no mundo.


Num discurso de cerca de 45 minutos, chamou também a atenção para a necessidade de a Europa se definir e de as organizações internacionais se renovarem, considerando que, no contexto atual, António Guterres não terá uma missão fácil como secretário-geral das Nações Unidas.


O mundo, notou, está em mudança e a Europa “está a ser lenta no ajustamento” a essas alterações e “às expectativas dos europeus”.


Às clivagens económicas e financeiras preexistentes neste continente somam-se agora clivagens “muito condicionadas pelo medo, pela dificuldade de adaptação das populações, pelo temor de vizinhos poderosos, pela incapacidade de formulação de uma política externa e até por divergências sobre a segurança interna”, constatou.


“A Europa, até por causa da negociação com o Reino Unido, tem um tempo limitado para se definir a ela própria. Quer avançar ou quer ficar a meio da ponte”, questionou Marcelo, recordando que ficar a meio da ponte é “sempre a posição mais em conta”, mas é como ficar no meio da estrada, onde se corre o risco “de se ser atropelado dos dois lados”.


O chefe de Estado, que falava no 5.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro (GraPE) em Coimbra, centrou uma parte substancial do seu discurso em questões internacionais, especialmente nas consequências da revolução tecnológica.


Esta revolução, muito acelerada e com um número “infindo” de fases, tem deixado para trás determinados setores da população que não aguentam facilmente a mudança, “por razões de idade, por razões de formação ou não formação, pela dificuldade de reajustamento, tecnológico, pessoal, social, profissional”.


Neste contexto, esses mesmos setores acabam por ser “facilmente captados” para dois tipos de mensagem: “o saudosismo do impossível – regressar a um tempo que não regressa – ou a capacidade de aceitar acriticamente aquilo de que mais primário, mas mais atrativo, se lhes apresenta como solução de futuro”.


Os apelos a estas “falsas revoluções imediatistas, primárias”, apresentam-se como um maior problema “sobretudo em sociedades envelhecidas”, como é o caso de parte da Europa e também o de Portugal, que “felizmente tem resistido a essas tentações”.


Após traçar o quadro, o Presidente da República defendeu a necessidade de se discutir “o papel das organizações internacionais”, muitas delas “obsoletas e antiquadas”.


“Seria um recuo no mundo se houvesse um compasso de espera na renovação das organizações internacionais”, constatou o chefe de Estado, recordando que hoje entra-se num “novo ciclo na vida internacional”, com uma “vivência diferente na administração norte americana” e um “protagonismo diferente no relacionamento com a federação russa”.


Face a atual situação, Marcelo considerou que António Guterres vai ter uma missão “bem difícil” enquanto secretário-geral das Nações Unidas.



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