Mais de 35 artistas expõem propostas sobre alterações climáticas em Lisboa
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Mais de 35 artistas expõem propostas sobre alterações climáticas em Lisboa

Mais de 35 artistas “eco-visionários” apresentam as suas visões críticas e criativas sobre as alterações climáticas, apontando consequências e soluções, através de peças expostas no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, a partir de quarta-feira.

Lisboa, 10 abr (Lusa) – Mais de 35 artistas “eco-visionários” apresentam as suas visões críticas e criativas sobre as alterações climáticas, apontando consequências e soluções, através de peças expostas no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, a partir de quarta-feira.


“Eco-Visionários: Arte, Arquitetura após o Antropoceno” é o título da mostra que resulta de um projeto de colaboração do MAAT com vários museus europeus, centrado no pós-Antropoceno – designação recente de um novo período geológico definido pelo impacto das ações humanas.


Esta exposição, em Lisboa, apresenta contributos de artistas, arquitetos e ‘designers’, portugueses e estrangeiros, e consiste na primeira e mais abrangente das quatro mostras que vão decorrer em paralelo em Portugal, Espanha, Suíça e Suécia.


A exposição está dividida em quatro secções: “Desastre”, “Coexistência”, “Extinção” e “Adaptação”.


A primeira apresenta, através de vídeos e fotografias, um retrato dramático da situação atual do planeta e apela a uma consciência ecológica urgente.


Em “Coexistência”, os artistas “alimentam visões de que podemos resolver o problema” e “oferecem ideias de mitigação”, que permitem a relação entre espécies, respeitando a coexistência geográfica, explicou o curador da mostra e diretor do museu, Pedro Gadanho, numa apresentação aos jornalistas.


Um vídeo documenta processos em que a selva da Amazónia foi a Tribunal, porque foi constituída como entidade jurídica, outro revela o trabalho feito com populações indígenas, à volta dos rios, sobre o impacto que as barragens têm nas comunidades locais.


Uma outra peça é um projeto de arquitetura — um projeto real, que está em curso -, de uma casa desenhada para o Texas de forma a compensar a toxicidade da água e preservar espécies que começam a ficar ameaçadas.


A secção sobre “Extinção” é a mais polémica e nela se expõem as consequências dramáticas do aquecimento global nos ecossistemas, sugerindo que algumas espécies vão ser extintas – como é o caso do ser humano, que não está biologicamente preparado para a subida das temperaturas – tal como aconteceu há 65 mil milhões de anos com a extinção dos dinossauros e de outras espécies.


“Segundo os cientistas, corremos o risco de entrar na sexta extinção de massas, e o planeta sobreviverá com outra forma de vida e existência”, acrescentou Pedro Gadanho.


Uma das peças mais emblemáticas desta secção é uma experiência audiovisual, que convida o visitante a entrar numa sala e ouvir a gravação de um texto documental — escrito por um biólogo marinho – sobre as perspetivas futuras de evolução da espécie humana – enquanto assiste à transformação de um espelho — que reflete as pessoas sentadas nessa sala — num aquário de medusas, uma das espécies que mais vai crescer com as alterações climáticas.


“É um trabalho mais documental, com pessoas reais. Ouve-se os especialistas a falar sobre medusas. Esses animais continuarão a existir, enquanto nós desaparecemos”, explicou Pedro Gadanho.


Na última secção, “Adaptação”, procura-se encontrar soluções, partindo de várias correntes de pensamento que existem quanto às alterações climáticas: as que defendem que se o Homem conseguiu construir tudo o que construiu, também se conseguirá adaptar; e as outras que defendem que é preciso desacelerar.


Parte-se para esta sala com a seguinte questão: “se fomos nós a conceber a próxima extinção em massa, seremos capazes de criar uma solução para a mesma?”.


“Considerando os desastres que nos rodeiam e a extinção das espécies, pensamos: o que podemos fazer?”, sendo este o pressuposto para as peças artísticas da última parte da mostra, explicou a outra curadora da exposição, Mariana Pestana.


Uma das peças que compõem esta secção está a ser desenvolvida há vários anos e consiste numa máquina de biogás que permite transformar resíduos humanos em energia para sustentar uma pessoa, permitindo-lhe cozinhar, tomar duche e outras tarefas dependentes de energia.


“Acreditam que estas unidades podem ser máquinas do futuro, a ser usadas nas casas, mas isto leva-nos a pensar que temos que mudar radicalmente a forma de viver”, disse Mariana Pestana.


A exposição “Eco-Visionários: Arte, Arquitetura após o Antropoceno” vai ficar patente no MAAT até 08 de outubro.



AL // TDI

By Impala News / Lusa


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