Maior adesão no segundo dia da greve dos professores

A greve dos professores no Algarve está a ter maior adesão em relação ao primeiro dia, realizada nos distritos de Lisboa, Setúbal, Santarém e Madeira

Maior adesão no segundo dia da greve dos professores

A greve dos professores no Algarve está a ter hoje maior adesão em relação ao primeiro dia, realizada nos distritos de Lisboa, Setúbal, Santarém e Madeira, havendo escolas em que supera os 70%, segundo o secretário-geral da Fenprof.

Mário Nogueira esteve hoje em Faro, junto à escola básica 2.3. Afonso III, e fez um balanço “provisório” da greve que se realiza no Algarve e no Alentejo, afirmando que, no distrito de Faro, e tendo por base dados da primeira hora da manhã, se registou “um aumento da percentagem” verificada na segunda-feira.

“Os primeiros dados apontam para aquilo que também nós já supúnhamos que pudesse acontecer, que era um aumento da percentagem de ontem. É evidente que ainda é inconclusivo, temos apenas dados do início da manhã e, portanto, ainda precisamos de ter muita mais informação, mas o pré-escolar e o primeiro ciclo estão – e aliás já começa a ser também aqui na região uma normalidade — com muitas escolas fechadas, encerradas ou escolas só com um ou dois colegas”, afirmou o líder da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), no segundo dia da paralisação de docentes.

Mário Nogueira disse que os dados entretanto recolhidos pelas estruturas sindicais apontam para um “pré-escolar e primeiro ciclo com grande adesão” e, na cidade de Faro, há escolas a mais de 70%, como na Joaquim de Magalhães e na Santo António.

Há outros estabelecimentos de ensino onde os números da greve se “aproximam dessas percentagens” e “mais de metade dos professores aderiram” à paralisação, adiantou Mário Nogueira, exemplificando este caso com o agrupamento João de Deus ou da escola Afonso III.

“Já tínhamos dito que a greve pudesse vir a aumentar de adesão no segundo dia e pensamos que, à medida que os dias passarão, aumentará mais, porque os esclarecimentos começam a chegar às escolas”, considerou Mário Nogueira.

O dirigente da Fenprof comentou também o primeiro dia de greve, em Lisboa, Santarém, Setúbal e Madeira, afirmando ter havido os “dois extremos” de participação — escolas com níveis de adesão altos e outras com baixos — e justificou essa situação com uma reunião com o Governo que terminou tarde, na véspera, e que houve professores a pensar que “haveria suficientes compromissos do Governo que teriam levado à desmarcação da greve, o que não foi verdade”.

Mário Nogueira reafirmou que a Fenprof não pode pactuar com o “apagão” no tempo de serviço e que o tema é inegociável.

“Na região autónoma Madeira está garantido que todo o tempo de serviço dos professores, nos Açores já começou a contagem com os primeiros dois anos, quatro meses e dois dias, na administração pública esse tempo em geral já foi considerado, os professores do continente, provavelmente filhos de um deus menor ou porque têm um número maior, o tempo é para apagar em mais de 70%”, criticou.

O secretário-geral da Fenprof garantiu que “o tempo de serviço é para contar”, embora manifestando a disponibilidade da estrutura sindical para negociar a forma como essa contagem é feita.

“Nós negociamos o ritmo da contagem, os tempos da contagem, os prazos para estar a recuperação toda feita, nós negociamos tudo”, afirmou.

Após as declarações aos jornalistas em Faro, Mário Nogueira desloca-se para Évora, onde espera fazer um balanço com números mais rigorosos da adesão ao segundo dia de greve.

A greve foi convocada pelas dez estruturas sindicais de professores que assinaram a declaração de compromisso com o Governo, entre as quais as duas federações – Federação Nacional de Educação (FNE) e Federação Nacional dos Professores (Fenprof) – e oito organizações mais pequenas.

A greve arrancou na terça-feira nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém e na região autónoma da Madeira e hoje concentra-se na região sul (Évora, Portalegre, Beja e Faro) e no dia 15 na região centro (Coimbra, Viseu, Aveiro, Leiria, Guarda e Castelo Branco).

A paralisação termina sexta-feira na região norte (Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança) e na região autónoma dos Açores.

 

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