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Filmoteca da Catalunha dedica ciclo à atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros

A Filmoteca da Catalunha, em Barcelona, exibirá, a partir de quarta-feira, 15 filmes da atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros.

Barcelona, 10 jan (Lusa) — A Filmoteca da Catalunha, em Barcelona, exibirá, a partir de quarta-feira, 15 filmes da atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros.


Na apresentação do ciclo, que decorreu hoje, Maria de Medeiros falou da atualidade europeia, da vaga de refugiados, afirmando que, certamente, “a rejeição não resolve” nenhum dos problemas da Europa, com milhares de refugiados a congelarem de frio, “o que surpreende sempre é como se esquece rapidamente, como se desconhece a história, incluindo a história recente, o leva a que se repitam erros”.


A atriz e realizadora criticou os atos de machismo com que muitas vezes teve de lidar, e recordou que a sua experiência mais marcante nesse campo viveu-a com o filme “Capitães de Abril”, um filme sobre o 25 de Abril de 1974, para cuja preparação teve de entrevistar militares em quartéis.


“Curiosamente, nenhum militar pôs em causa a legitimidade do trabalho de uma miúda de 21 anos, mas quando comecei a trabalhar foi quando me deparei com as reações mais machistas no mesmo mundo do cinema, na imprensa e no mundo político”, contou.


A partir de quarta-feira e até 10 de fevereiro, serão exibidos 15 filmes da atriz, que o realizador João César Monteiro descobriu em 1981, para protagonizar “Silvestre”, e que é considerada por muitos a melhor atriz portuguesa da sua geração.


De acordo com Maria de Medeiros, no ciclo poderá ver-se “coisas que pouquíssima gente viu”, como o título inaugural, “Viagem a Portugal” (2011), de Sérgio Tréfaut, sobre a arbitrariedade dos controlos nos aeroportos, ou “Je ne suis pás mort” (2012), de Mehdi Bem Attia.


O ciclo inclui também “títulos bastante experimentais” dirigidos por Maria de Medeiros, como “Entre dois desconhecidos” (2015), um diálogo de imagens, filmado com telefones móveis, entre a realizadora e o escritor francês Stéphane Zagdanski.


A atriz, que também entrou em “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino, e “Henry and June”, de Philip Kaufman, apelou à recuperação da “experiência coletiva” de ver um filme, em sala, algo que está a perder-se, porque “cada vez mais se vê um filme num pequeno ecrã ou computador”.


Maria de Medeiros confessou que lhe custa fazer prognósticos sobre o futuro do cinema, mas considerou que a tecnologia móvel “dá maior autonomia ao criador, convertido, como sucede em ‘Entre dois desconocidos'”, em que foi “responsável pela luz, pela fotografia, pela correção de cor, pela montagem do filme e pelo som”.


Embora muitos considerem que o melhor cinema hoje em dia é feito em televisão, Maria de Medeiros confessa: “Não vejo séries e, na verdade, só vi a primeira temporada de ‘Mozart in the jungle’, pela minha ligação à música clássica, mas não tendo a ficar agarrada a qualquer tipo de droga e nisso incluo as séries”.


Prestes a estrear uma peça de teatro em França, uma adaptação de “Um amor impossível”, de Christine Angot, que deverá ficar em cena, em Paris, a partir do final de fevereiro, Maria de Medeiros irá dirigir um novo projeto, a versão de “Aos nossos filhos”, obra teatral que fez durante três anos no Brasil.



JRS // MAG


Lusa/fim


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