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Filme “Soldado Milhões” humaniza alguém “maior do que um ato destemido”

“Soldado Milhões”, o filme sobre Aníbal Milhais, o soldado que combateu na Primeira Guerra Mundial, é também a história de “alguém muito maior do que um ato destemido”, disse à Lusa o realizador Jorge Paixão da Costa.

Lisboa, 11 abr (Lusa) – “Soldado Milhões”, o filme sobre Aníbal Milhais, o soldado que combateu na Primeira Guerra Mundial, é também a história de “alguém muito maior do que um ato destemido”, disse à Lusa o realizador Jorge Paixão da Costa.


“Soldado Milhões”, que se estreia na quinta-feira nos cinemas portugueses, é um filme de Jorge Paixão da Costa e Gonçalo Galvão Teles, que se inspira na história de Aníbal Milhais, o transmontano que há cem anos se tornou num herói nacional, por ter combatido na Primeira Guerra Mundial.


O filme divide-se entre duas narrativas temporais, com o soldado nas trincheiras e, anos mais tarde, com o cidadão Milhais na aldeia de Valongo, medalhado e a querer viver uma vida sem estrelato, dedicado à família.


“Esta personagem era muito maior do que apenas alguém que tinha feito um ato destemido na guerra. Era um homem de uma grande simplicidade, com códigos de honra muito fortes, de uma grande honestidade, educação”, disse Jorge Paixão da Costa.


É por isso que os dois realizadores quiseram humanizar uma figura que se tornou lendária, colocando-a no filme a explicar a guerra à filha mais nova, enquanto ambos percorrem montes transmontanos em busca de um lobo.


No filme, o soldado Milhões é interpretado pelos atores João Arrais e Miguel Borges, à frente de um elenco que inclui ainda, entre outros, Tiago Teotónio Pereira, Ivo Canelas, Isac Graça, Raimundo Cosme, Lúcia Moniz e António Pedro Cerdeira.


Jorge Paixão da Costa, que tem trabalhado sobretudo em televisão e que assina aqui a quarta longa-metragem de ficção, admitiu que gosta sobretudo de fazer filmes de época: “Há 15 ou 20 anos que vivo no final do século XIX e princípio do século XX. Este filme foi o meu regresso à minha zona de conforto”.


O realizador alerta para a ausência de pretensões didáticas ou pedagógicas deste filme, e afirma que, a par do rigor histórico possível, quis ser fiel aos relatos que teve diretamente junto da família.


“Não tenho a mínima dúvida de que este filme vai aguçar muito a curiosidade de se conhecer melhor não só a nossa ida para a Primeira Guerra, como também aquilo que foi a Primeira República, que ainda hoje é um período um bocado estigmatizado”, disse.


Natural de Valongo (atualmente Valongo de Milhais), Aníbal Milhais, transmontano de origens humildes e analfabeto, foi enviado para a Flandres francesa, após a entrada de Portugal na guerra em solo europeu, em 1917, e foi um dos protagonistas da batalha de La Lys (09-29 abril de 1918), o grande desastre militar português referenciado como o “Alcácer Quibir do século XX”.


Após contrariar as ordens de um oficial, Aníbal Milhais decide cobrir a retirada dos seus camaradas portugueses e britânicos, e após dias a vaguear sem destino regressa ao seu batalhão.


Ainda na Flandres, e após o armistício, foi condecorado em 01 de dezembro de 1918 com a Ordem de Torre e Espada (o único soldado raso a receber a mais alta condecoração militar), e passou a ser chamado Milhões, numa alusão o seu valor. Em 1919, regressou anónimo a Valongo.


Aníbal Milhões – nome que se tornou apelido na família – morreu aos 74 anos, em junho de 1970.



SS/(PCR) // MAG

By Impala News / Lusa


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