Diretor-geral de Saúde termina funções com desafio à Assembleia da República

O diretor-geral da Saúde, Francisco George, realizou a sua última intervenção nestas funções com um desafio à Assembleia da República para que esta altere a Constituição para ser possível obrigar um cidadão doente a tratar-se para evitar contágios.

Diretor-geral de Saúde termina funções com desafio à Assembleia da República

O diretor-geral da Saúde, Francisco George, realizou hoje a sua última intervenção nestas funções com um desafio à Assembleia da República para que esta altere a Constituição para ser possível obrigar um cidadão doente a tratar-se para evitar contágios.

Francisco George, que cumpre hoje o seu último dia como diretor-geral da Saúde, por atingir o limite de idade, partilhou com dezenas de individualidades e dirigentes do setor, assim como representantes parlamentares e sete ex-ministros da Saúde, e o atual, os marcos de uma carreira de 44 anos dedicada ao Estado.

Visivelmente emocionado ao entrar na sala repleta de “amigos”, Francisco George disse aos jornalistas que o encontro — por ele inicialmente marcado para “uma prestação de contas”, mas transformado em homenagem por iniciativa do Ministério da Saúde — foi “um ato de solidariedade”.

“É importante sentir que há solidariedade”, afirmou o dirigente da Direção Geral da Saúde (DGS), há 17 anos neste organismo.

Francisco George disse que o acontecimento que mais o marcou a nível mundial foi a descoberta da sida, tendo trabalhado com alguns dos primeiros casos, e o surto da bactéria legionella em Vila Franca de Xira, a nível nacional.

A sessão começou com um apontamento musical levado a cabo pela filha de uma funcionária da DGS e prosseguiu com a leitura de uma mensagem do Presidente da República, na qual o chefe de Estado enalteceu as qualidades do dirigente.

Um pequeno filme com testemunhos de profissionais que trabalharam com Francisco George foi apresentado em seguida, ao longo do qual o “espírito de saúde pública”, a “generosidade” e a “honestidade” do dirigente foram várias vezes referidos.

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, recordou o caminho “de luta” que percorreu com Francisco George e a sua dedicação à causa pública.

“Para a nossa geração, servir o Estado é um privilégio”, disse, partilhando com a audiência uma qualidade de Francisco George, para alguns “um defeito”, que são as suas “fortes palmadas nas costas” que obrigam a “uma distância de segurança”.

Para Ferro Rodrigues, Francisco George “deu a cara em vários momentos difíceis e isso valeu-lhe o respeito da população”.

E foi precisamente a Ferro Rodrigues que o diretor-geral da Saúde deu o seu último reparo em forma de desafio, no sentido da Assembleia da República alterar a Constituição e tornar possível um cidadão doente ser obrigado a tratar-se.

Ao longo de três horas, Francisco George partilhou fotografias da infância, dos tempos de estudante e dos primeiros anos a trabalhar na saúde pública, sendo várias vezes aplaudido de pé.

Ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, coube as últimas palavras, referindo-se a Francisco George como um exemplo do que “de bom a República nos trouxe”.

Na cerimónia foi anunciada a criação, pelo Ministério da Saúde, do Prémio de Saúde Pública Francisco George, o qual visa “dinamizar a apresentação de estudos e trabalhos na área da saúde pública”.

O prémio no valor de 5.000 euros vai “distinguir trabalhos e estudos de investigação, inéditos e inovadores, em temas de saúde pública de relevante interesse e impacto para a defesa da saúde pública”.

A abertura oficial das candidaturas realiza-se em 07 de abril, Dia Mundial da Saúde, e a apresentação das candidaturas decorrerá entre 01 de junho e 31 de agosto.

 

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