Depois dos médicos, os enfermeiros também vão entrar em greve

Depois dos médicos, os enfermeiros também vão entrar em greve

Movimento Nacional do setor convoca manifestação para 19 de maio, em Lisboa.

Os enfermeiros vão manifestar-se no dia 19 deste mês de maio, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, numa concentração convocada pelo Movimento Nacional de Enfermeiros e apoiada por sindicatos e Ordem, disse à agência Lusa um dos coordenadores.

“Há um marasmo absoluto relativamente às situações que nos preocupam, como as questões da carreira e do próprio Serviço Nacional de Saúde”, afirmou Tiago Craveiro, um dos fundadores do Movimento Nacional de Enfermeiros e um dos coordenadores nacionais da manifestação.

O responsável sublinhou que as promessas feitas pelo Governo aquando das greves marcadas para outubro de 2017 “não foram cumpridas” e os enfermeiros continuam “sem terem uma carreira e a não serem reconhecidos”.

A manifestação foi convocada “por pessoas sem qualquer ligação sindical ou partidária e vai ser uma lição de democracia para o país”, frisou Tiago Craveiro, referindo que a concentração tem o apoio da Ordem dos Enfermeiros, da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermagem (FENSE) e do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), estando ainda à espera da resposta do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

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De acordo com Tiago Craveiro, “ainda não está completamente decidido” se a concentração se fica pela residência oficial do Presidente da República, ou se será feito o percurso até à residência oficial do primeiro-ministro.

“Em 2009, vimos a nossa carreira destruída e foi feita uma carreira que nunca foi implementada”, referiu, salientando que a promessa da tutela de realizar uma negociação “séria com datas para implementação de uma nova carreira” não se verifica.

Tiago Craveiro adiantou que para além da carreira, há também a questão das progressões, sublinhando que há casos de enfermeiros com 21 anos de carreira “que ganham exatamente o mesmo que um enfermeiro que começou há um dia”.

A somar a esta e a outras reivindicações está “o subfinanciamento do SNS [Serviço Nacional de Saúde] por parte de vários governos”.

“Há um desinvestimento a nível de recursos humanos, materiais e infraestruturas. Está a transformar-se o SNS, que deveria ser um pilar da democracia portuguesa, num SNS para pobrezinhos. Vê-se cada vez mais a proliferação dos seguros de saúde e a entrega da saúde dos portugueses aos privados. Queremos inverter isso”, vincou.

 


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