A escrita da dança e a linguagem dos gestos fazem “Coreografia” no Teatro D. Maria

O espetáculo “Coreografia”, que João dos Santos Martins, apresenta na segunda-feira, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, “parte da ideia do que é a escrita da dança”, e assume o “corpo em ressonância permanente”.

A escrita da dança e a linguagem dos gestos fazem

A escrita da dança e a linguagem dos gestos fazem “Coreografia” no Teatro D. Maria

O espetáculo “Coreografia”, que João dos Santos Martins, apresenta na segunda-feira, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, “parte da ideia do que é a escrita da dança”, e assume o “corpo em ressonância permanente”.

Segundo João Santos Martins, “Coreografia”, que parte de um texto de José Maria Vieira Mendes e do apelo à Língua Gestual Portuguesa, desenvolve-se numa tentativa de “encontrar dois paradoxos”: o primeiro, no facto de a dança ter uma linguagem que é abstrata, mas muito expressiva; o segundo, pela incapacidade de leitura que a dança acarreta, enquanto gesto performativo.

Para “irem ao encontro do que é um texto enquanto fala, enquanto comunicação”, este trabalho procurou “o paradoxo que existe entre o que caracteriza a expressividade e a abstração da dança, e a relação entre o sujeito que executa e o que transmite”, disse à Lusa.

“Coreografia” tenta assim “criar relações entre a ideia da dança e a escrita de um texto”, concretizando-a através da Língua Gestual Portuguesa, que o criador classifica como “a ponte para resolver o dilema entre gesto e escrita”.

“Trata-se de um espetáculo de dança, mas acontece no D. Maria II”, um teatro, “como forma de ligação à escrita”, afirmou.

O espectáculo teve por base um texto inicial do dramaturgo José Maria Vieira Mendes, adaptado à língua gestual por Ana Sofia Fernandes. Foi depois reescrito em português, de novo “aos olhos da Língua Gestual Portuguesa”, explicou.

A dançar “Coreografia” vai estar o bailarino Adriano Vicente, num espetáculo que o criador diz acontecer “num enorme espaço vazio, onde está sempre permanente o lugar da fala e o lugar do gesto”, através de “um trabalho gutural da língua, da garganta e das cordas vocais, numa relação direta com a língua gestual”.

Integrado no Alkantara Festival 2020, o espetáculo está em cena na sala Garrett, nos dias 23 e 24, às 19:00, depois de uma primeira apresentação, no Teatro Viriato, em Viseu, ocorrida esta quarta-feira.

O espetáculo tem música do acordeonista João Carlos Barradas, que a interpretará ao vivo, luz de Filipe Pereira e figurinos de Constança Entrudo.

Trata-se de uma produção conjunta do Alkantara, da Associação Parasita, do Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) e da associação Materiais Diversos.

João dos Santos Martins nasceu em Santarém, em 1989, e tem trabalhado nas áreas de coreografia, exposição e edição.

Começou por estudar na Escola Superior de Dança, em Lisboa, depois na Performing Arts Research and Training Studios(PARTS), em Bruxelas. A sua formação passou também por Montpellier e pelo Instituto para Estudos Aplicados ao Teatro, em Giessen (Alemanha).

Desde 2008, tem articulado a dança com a produção de peças em colaboração com autores.

Em 2017, organizou o ciclo Nova—Velha Dança, em Santarém, com espectáculos, ‘workshops’, conversas e exposições.

CP // MAG

By Impala News / Lusa

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