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Associação quer pulseira eletrónica para dar liberdade a crianças autistas angolanas

Uma associação angolana de apoio a autistas pretende utilizar pulseiras eletrónicas para controlar crianças e adolescentes com aquele distúrbio neurológico, impedindo a sua marginalização.

Luanda, 04 dez (Lusa) – Uma associação angolana de apoio a autistas pretende utilizar pulseiras eletrónicas para controlar crianças e adolescentes com aquele distúrbio neurológico, impedindo a sua marginalização.


O projeto, que se encontra em sede de análise no parlamento angolano, é uma iniciativa da Associação Angolana de Apoio a Pessoa Autista e Portadora de Transtornos Globais de Desenvolvimento (APEGADA) e visa garantir maior eficácia no controlo das crianças e adolescentes autistas.


De acordo com o presidente da associação, António Teixeira, face à ausência de mecanismos específicos para controlar os menores, estes podem passar a ser vigiados com pulseiras eletrónicas, mas com o intuito de lhes devolver alguma “liberdade”, face ao isolamento a que estão submetidos atualmente.


“Um dos grandes propósitos tem sido a questão de isolamento e abandono a que estão expostas estas pessoas, a maior parte delas estão em casa e muitas vezes os pais, pelo facto de não terem condições apropriadas para o seu controlo, mantêm-nas isoladas”, explicou o responsável, em declarações à Lusa.


O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo, algo com que muitos pais não conseguem lidar, acrescenta António Teixeira.


“Chegam a manter as crianças amarradas com o receio de que elas se percam”, conta o presidente daquela associação angolana, admitindo que recebe um número crescente de participações sobre o desaparecimento destas pessoas.


A APEGADA controla cerca de 650 crianças autistas localizadas na capital angolana e em algumas outras províncias do país.


“Numa fase inicial queríamos avançar com uma pulseira simples onde devem constar os dados dos pais, e depois com uma pulseira eletrónica ligada ao sistema GPS instalado a partir dos telefones dos pais. Mas como sabe, nós ainda não conseguimos financiamento, daí que apresentamos o projeto à Assembleia Nacional”, justificou António Teixeira.


O custo das pulseiras, disse ainda, poderá variar entre os 3.000 kwanzas (17 euros) e os 66.000 kwanzas (375 euros).


Em 2013, durante um workshop sobre o Autismo, o Ministério da Saúde de Angola anunciou para breve a instalação de serviços de assistência mental em toda a rede sanitária do país.


Contudo, atualmente, diz António Teixeira, faltam em Angola políticas direcionadas à condição de crianças autistas e considera mesmo que essa ausência de políticas deve ser entendida como uma descriminação.


“O atraso na implementação de políticas na área de educação, saúde e reinserção social das pessoas é um facto, daí que podemos afirmar que estamos diante de uma discriminação, porque se construíram escolas mas sem condições para acolher as mesmas cujas famílias na sua maioria enfrentam dificuldades várias”, assinalou.


Segundo um estudo recente da APEGADA, uma família pode gastar anualmente, em Angola, pelo menos três milhões de kwanzas (17.000 euros), só para atender as diversas terapias de uma criança autista.



DYAS // PJA


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