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Apostadores de Macau gastam mais 60% em jogo do que há três anos

O gasto médio em jogo dos residentes de Macau que fazem apostas aumentou 60% nos últimos três anos, para 808 patacas (95 euros) mensais, segundo um estudo da Universidade de Macau.

Macau, China, 11 dez (Lusa) — O gasto médio em jogo dos residentes de Macau que fazem apostas aumentou 60% nos últimos três anos, para 808 patacas (95 euros) mensais, segundo um estudo da Universidade de Macau.


“O dinheiro apostado nos casinos pelos jogadores está a aumentar significativamente, isso é explicado talvez pela boa situação financeira dos jogadores, porque nos últimos 13 anos a mediana do salário dos residentes quase duplicou para 15.000 patacas (1.769 euros)”, disse à Lusa o diretor do Instituto para o Estudo do Jogo Comercial da Universidade de Macau, Davis Fong.


O estudo, divulgado na semana passada, conclui que os homens entre 25 e 34 anos, nascidos em Macau ou que emigraram para o território com pouca idade, e com salários mais elevados são os mais propensos a jogar.


“O desejo de ganhar dinheiro” foi a principal razão apontada para jogar.


No entanto, metade dos 1.843 inquiridos que responderam à questão sobre a despesa mensal com jogo disse que não gasta dinheiro nessas atividades, nível que se mantém inalterado desde o anterior estudo, em 2013.


Macau, o maior centro de jogo do mundo, é o único território da China onde os casinos são legais e o maior número de apostadores são chineses oriundos do interior do país.


Os residentes em Macau que jogam preferem as apostas na lotaria (81,9%), seguidas dos casinos (60,1%) e corridas de cavalos (49,3%).


Comparando com 2013, o inquérito apurou este ano uma maior taxa de participação na “lotaria Mark Six”, “apostas em futebol e basquetebol” e nas corridas de cavalos.


Em contrapartida, o jogo em casino seguiu a tendência dos dois inquéritos anteriores e continuou a descer.


Desde a liberalização dos casinos em Macau, em 2003, a taxa de participação dos residentes no jogo, de uma forma geral, desceu de 67,9% naquele ano para 49,5% em 2013, mas em 2016 voltou a subir, para 51,5%.


Já nos casinos, comparando com as restantes opções de jogo, houve uma descida: “Em 2003, a taxa de participação nos casinos era de cerca de 30%, o que significava que 30% da população ia jogar no casino pelo menos uma vez por ano. Agora, em 2016, a taxa de participação é de 11%”, disse Davis Fong.


“Não penso que esta percentagem desça nos próximos dez anos, talvez sejam jogadores ‘hard core’, que experimentam, gostam e o ato de jogar torna-se parte do seu comportamento”, acrescentou.


Davis Fong nota a maior prevalência dos jogos em casino entre os mais velhos e a maior propensão dos mais novos para os jogos online.


Uma das explicações, segundo o académico, é a idade para entrar nos casinos ter aumentado de 18 para 21 anos. Outra é a de que há muitos jogos online, incluindo de realidade virtual, que permitem aos mais jovens mostrar as suas capacidades e não ficar dependentes apenas da sorte, como acontece nos casinos.


Para o inquérito de 2016 foram realizadas 2.000 entrevistas por telefone a residentes em Macau maiores de 18 anos selecionados de forma aleatória. Este estudo faz-se desde 2003, com vista a apurar a prevalência do jogo compulsivo na população de Macau.


Os critérios para medir as patologias relacionadas com o jogo alteraram desde o último estudo. Contudo, é possível identificar o mesmo padrão.


“Em 2013, a incidência de ‘problemas com o jogo’ (‘problem gambling’) era 1,9% e o ‘jogo patológico’ (‘patologic gambling’) era 0,9%. Os dois em conjunto somam 2,8%. Agora, 2,5% (51 dos 2000 inquiridos) foram classificados como sofrendo de perturbações do jogo ‘ligeiras, moderadas e graves’, por isso, é mais ou menos o mesmo. A diferença é que antes tínhamos dois grupos e agora temos três”, afirmou o académico.


Para Davis Fong, uma das explicações para o não aumento da dependência é “os residentes locais já se terem habituado ao jogo fazer parte da sociedade de Macau”.


“Treze anos depois da liberalização do jogo, não têm tanta curiosidade. [Cada nova abertura é entendida como] só mais um casino”, disse.


Por outro lado, considerou que “oito anos depois de o Governo de Macau ter começado a promover o jogo responsável, muitas pessoas já ouviram falar do problema do jogo patológico”. “Em 2009 apenas 16% tinham ouvido falar do problema”, revelou.


“Macau é uma comunidade pequena e com o Governo a trabalhar com os académicos, o Instituto para a Ação Social, a Direção para a Inspeção e Coordenação dos Jogos e outras associações em conjunto, facilmente promovem a consciencialização do problema”, afirmou, considerando, no entanto, haver margem para reforçar a educação sobre o jogo responsável.



FV // JMR


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