Salvador Sobral: «Se houver um ataque terrorista a culpa é minha»

Passado quase um ano de ter vencido o festival Eurovisão de 2017, Salvador Sobral fala sobre um ciclo que se irá fechar na sua vida. Entre a fama, os problemas de saúde e a música, o cantor português, em entrevista ao Público, revela como tem sido este ano histórico.

Passado quase um ano de ter vencido o festival Eurovisão de 2017, Salvador Sobral fala sobre um ciclo que se irá fechar na sua vida. Entre a fama, os problemas de saúde e a música, o cantor português, em entrevista ao Público, revela como tem sido este ano histórico.

Sobre a edição da Eurovisão deste ano, Salvador Sobral confessou sentir-se responsável por ter trazido o festival para Lisboa e por tudo o que um evento desta dimensão e projecção pode significar para o país.

«É horrível o que vou dizer, mas é verdade! Penso que se houver um ataque terrorista a culpa é minha! Em Lisboa, felizmente, nunca aconteceu nada do género, e dou por mim a ter esse tipo de pensamentos», explicou.

O músico revelou que espera «passar o testemunho e deixar de ser encarado como o vencedor do festival». Tendo sido sempre conhecida a dificuldade de Salvador Sobral em adaptar-se à fama, o músico português não escondeu o desejo de «voltar a ser apenas o Salvador Sobral da música».

Da fama ao hospital: «O que é que fui fazer?»

Tal como a necessidade de um transplante de coração entrou de rompante na sua vida, a fama surgiu igualmente de repente para Salvador. Movido pela dificuldade de gerir estes dois pólos eminentemente no seu quotidiano, o artista garante que hoje é capaz de olhar para estas questões «com mais tranquilidade».

O músico recorda que após ter vencido o festival, «não estava preparado» para lidar com a fama e que no início sofreu muito.

«Quando cheguei a Portugal, depois da vitória, foi duro. Fartava-me de chorar. Dizia para mim próprio: ‘O que é que fui fazer?’ Não podia sair à rua. Mas depois o tempo foi passando, estive todo aquele tempo no hospital por causa da operação e as pessoas foram percebendo, mais ou menos, como sou, e respeitam-me. Já perceberam que não gosto de tirar fotos, por exemplo. Dizem que gostam muito do meu trabalho e eu agradeço», destacou.

Enquanto esteve no hospital, onde realizou um transplante de coração, Salvador Sobral contou que acima de tudo queria manter «o máximo de tranquilidade e discrição». «Nem sequer os meus amigos via no hospital. Era só a minha família.»

«Amar Pelos Dois era a melhor canção e não tenho vergonha de o dizer»

Para além de ter sido o primeiro português a ganhar a Eurovisão, muitos acreditam que Salvador Sobral fez história além fronteiras. A canção Amar pelos Dois, composta pela irmã, Luísa Sobral, foi uma música disruptiva que mudou o rumo do festival. De acordo com o interprete português, a canção ganhou porque «prevaleceu a aposta na diferença».

«Era uma canção rica harmonicamente, melódica e liricamente. E também emocionalmente. Tinha conteúdo. Era a melhor canção e não tenho vergonha de o dizer, só porque sou eu que a canto. É verdade. Era mesmo a melhor», garantiu o artista sem preconceitos.

Novo álbum com amor de Paris

Com lançamento previsto para outubro, o novo álbum de Salvador contará com a colaboração de muitos artistas diferentes, nomeadamente Gonçalo M. Tavares, Miguel Esteves Cardoso, Samuel Úria, Júlio Resende e Mário Laginha.

Mas a maior novidade é que o CD contará com uma música em francês e outra em espanhol. Para além de ter afirmado não ter qualquer receio de cantar noutras línguas, Salvador explicou que desde março que tem viajado com vários grupos e artistas e que tem visitado muitas vezes Paris, onde adora estar.

«Adoro ir para Paris, ainda por cima eles lá são uns cabrões! Tratam-me mal e eu adoro…», contou.

Com este novo álbum, Salvador vai fazer digressões por Espanha, Polónia e Eslovénia. «A luta é mostrar que sou mais do que a Eurovisão. (…) Não quero ficar vinculado como o vencedor da Eurovisão, mas sim como o músico Salvador Sobral.», confessou.


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