A prioridade na gravidez está consagrada na Lei desde o final do ano de 2016

A prioridade na gravidez (ou a falta dela)

Desde o final do ano de 2016 que a lei obriga a dar prioridade a pessoas deficientes, idosos, grávidas ou acompanhantes de crianças de colo, quer em estabelecimentos e serviços públicos como em privados. Mas, tenho a dizer, por experiência própria, que nem sempre isso se verifica. E o pior, é que, quando até nos dão o lugar, somos olhados e tratados com verdadeiro desdém.

A prioridade na gravidez (ou a falta dela). Desde o final do ano de 2016 que a lei obriga a dar prioridade a pessoas deficientes, idosos, grávidas ou acompanhantes de crianças de colo, quer em estabelecimentos e serviços públicos como em privados. Mas, tenho a dizer, por experiência própria, que nem sempre isso se verifica. E o pior, é que, quando até nos dão o lugar, somos olhados e tratados com verdadeiro desdém.

Já por diversas vezes vivi a experiência de estar numa grande cadeia de supermercados na fila prioritária, mas esta estar cheia de pessoas que não o são e que simplesmente ignoram a minha presença. Numa dessas vezes, o empregado reparou na minha barriga e chamou-me. Foi quando me cruzei com o olhar de raiva da pessoa que estava na frente (uma mulher, por ironia) que ainda fez questão de dizer que “gravidez não é doença”.

A prioridade na gravidez está consagrada na Lei desde o final do ano de 2016

De facto “gravidez não é doença”, mas é a altura em que o corpo da mulher trabalha a dobrar para gerar uma vida. Ora, isso traz consequências e muitas delas não são fáceis. Enjoos, má disposição, vómitos, sem falar nas dores nas costas que se tornam insuportáveis quando se está muito tempo em pé. Agora que é verão, é difícil lidar com o calor, com os pés ficam inchados que dificultam os movimentos. Depois há o peso da barriga, as tonturas e a vontade frequente de ir à casa de banho…

Há uma série de situações que nos deixam mais vulneráveis. Usar a prioridade não é “frescura”, é de facto uma necessidade para várias mulheres. Claro que nem todas têm os mesmos problemas na gestação e há gravidezes mais fáceis que outras, mas todas elas passam por dias menos bons. Eu, que tenho uma gravidez de alto risco e que já vivi dois grandes sustos, vejo na prioridade uma questão imprescindível, para o meu bem estar, mas, mais importante que isso, para o bem estar da minha bebé.

Este texto é um simples desabafo, porque não é agradável sentir que se está a ser “olhado de lado” e ouvir reclamações só porque se fez valer de um direito! Se a lei definiu as grávidas como prioritárias é por algum motivo…

Ricardina Batista
Ricardina Batista

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