Fernando Santos e Cristano Ronaldo, Portugal campeão Europeu

Nuno Farinha convocado para o Mundial 2018: «O engenheiro é que sabe»

A dúvida instalara-se nos adeptos e nos jornalistas. Portugal teria capacidade para dar a volta à situação delicada e ainda fazer boa figura no Europeu de França?

Nenhum português jamais esquecerá a premonição de Fernando Santos na pior fase da Seleção Nacional de Portugal durante o Euro’2016. Tínhamos acabado de empatar os dois primeiros jogos, de forma surpreendente, contra adversários acessíveis: 1-1 com a Islândia e 0-0 com a Áustria.

A dúvida instalara-se em toda a gente: nos jogadores, nos adeptos e nos jornalistas. Portugal teria capacidade para dar a volta à situação delicada e ainda fazer boa figura no Europeu de França?

Não foram só os primeiros dois resultados que foram maus. As exibições também deixaram muito a desejar. No dia 19 de junho, no pico da nossa “crise” nesse Euro’2016, o selecionador sentou-se em frente aos jornalistas, no centro de estágio de Marcoussis, e disse isto: “Já avisei a minha família que só volto a Portugal no dia 11 de julho.

E mais: vou ser recebido em festa.” A final estava marcada, claro, para 10 de julho. Faltavam ainda três semanas. Parecia mais difícil chegarmos a esse jogo decisivo no Stade de France do que ver uma tartaruga atravessar a Segunda Circular em hora de ponta.

Naquela sala, naquele centro de estágio, ninguém estava a pensar ver Portugal na final do Europeu por terras de França

Eu estava lá, em Marcoussis, e confesso que não acreditei, nem por um momento, naquilo que Fernando Santos estava a dizer. O selecionador parecia em estado de negação ou a viver uma realidade paralela.

Onde todos viam defeitos, o líder descobria virtudes. Onde todos viam problemas, o líder encontrava soluções. Onde todos viam preto e cinzento, o líder via vermelho e verde.

Os jornalistas olhavam uns para os outros e as caras de incredulidade diziam tudo. Naquela sala, naquele centro de estágio, ninguém estava a pensar ficar até à final do Europeu por terras de França. Assim que Portugal fosse eliminado era fazer a trouxa e regressar a casa. E esse dia parecia não estar tão assim tão distante.

Aconteceu, então, aquilo que já se sabe e que veio a culminar com o eterno pontapé de Éder. Saltámos, rimos, chorámos, gritámos, enlouquecemos. Por tudo isso é que agora não há um único português que duvide da palavra do selecionador.

Ainda assim, será que ganhámos, essencialmente, por Fernando Santos ser um treinador com muita sorte? Que seja! Já estávamos cansados de treinadores com azar. Antes assim.

Nuno_Farinha

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

LEIA MAIS: «Espanha mete medo»

LEIA MAS: «As lágrimas de Rui Patrício»

LEIA MAIS: «O Mundial e a Bola de Ouro»

LEIA MAIS: «A crise que a Seleção dispensava»

LEIA MAIS: «Faltam campeões»


ÚLTIMOS ARTIGOS

Nuno Farinha convocado para o Mundial 2018: «O engenheiro é que sabe»

A dúvida instalara-se nos adeptos e nos jornalistas. Portugal teria capacidade para dar a volta à situação delicada e ainda fazer boa figura no Europeu de França?