Júlio Isidro tomava banho quando lhe telefonaram da RTP

Júlio Isidro tomava banho quando lhe telefonaram da RTP

Dois anos depois, o tributo simples a Júlio Isidro de um atento telespetador e, durante longos anos, jornalista dedicado à televisão, muitas vezes, e à Televisão, raras vezes.

Há exatamente dois anos, Júlio Isidro tomava banho quando lhe telefonaram da RTP. Nenhum dos apresentadores estava disponível para apresentar Praça da Alegria (naquele momento travestido de Agora Nós) e precisavam dele. Nesse dia, 17 de março de 2015, Júlio foi a correr para a Televisão. (Quando é alguém como ele, televisão passa a T maiúsculo.) E foi o que muitos recordarão.

Procurei um registo vídeo desse momento de Júlio Isidro na Internet. Quase não encontrei. No site da RTP não encontrei mesmo. (A Internet por vezes também é, na sua imensidão, um lugar vazio.)

Mas fica aqui, exatamente dois anos depois, o tributo simples de um atento telespetador e, durante longos anos, jornalista dedicado à televisão (muitas vezes) e à Televisão (raras vezes).

Eis o que escrevi naquele dia e que se mantém atual.

“Bom, já todos sabem da lição que o Júlio Isidro deu esta manhã. Eu não era capaz. Não era capaz profissionalmente, claro. Mas era ainda mais incapaz pessoalmente. Eu, no lugar dele, provavelmente tinha-me deixado ficar de pijama em casa. Há pelo Júlio uma falta de respeito enorme. Têm-no encafuado numa coisa vergonhosa, portuguesinha, a RTP Memória, chamam-no às três pancadas e depois colocam-no num pedestal de elogios por ele fazer a coisa mais normal nele: ser o melhor comunicador televisivo português de sempre (ele e o Carlos Cruz, também encafuado, mas num sítio infinitamente pior e mais indigno). Só há um pedestal digno para o Júlio: no ar, e nunca como suplente.”

 

Luís Martins

Luís Martins | diretor

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