felicidade

Felicidade? Um campo de papoilas!

Tinha cabelo loiro fininho que da ventania, ora de andar de bicicleta, ora de lhe mexer com as mãos sujas, andava sempre cheio de nós. Era criança e tinha a ilusão de ser livre.

Felicidade. Quando era pequena e andava sempre com a cara suja, usava T-shits do meu irmão, porque sim, que muitas vezes me passavam dos joelhos.

Era tão traquina quanto doce e tinha a cabeça cheia de sonhos. Tinha olhos curiosos e cintilantes e a cara cheia de sardas.

Felicidade? Quando era pequena era, sobretudo, livre

Os  joelhos andavam sempre arranhados e os cotovelos tinham feridas com crostas. Quando era pequena era, sobretudo, livre.

Esgueirava-me de casa e enfiava-me por atalhos de terra batida na minha BMX amarela, pedalava horas seguidas entre as várias aldeias que rodeiam a minha e quando dava com um campo com papoilas espojava-me nele horas. Mais manchas para a T-shirt já suja.

O cheiro a feno e os salpicos vermelhos nos campos sempre me lembraram a infância, a vida. Vermelho cor de sangue a salpicar o feno que já não verdejava.

A cara suja e as mãos manchadas eram muitas vezes delas, das amoras que comia quentes e sem a preocupação de esperar por chegar a casa e as lavar

Pelo caminho, nos meses secos, apanhava amoras. A cara suja e as mãos manchadas eram muitas vezes delas, das amoras que comia quentes e sem a preocupação de esperar por chegar a casa e as lavar. Nunca me fizeram mal, pelo contrário.

Tinha cabelo loiro fininho que da ventania, ora de andar de bicicleta, ora de lhe mexer com as mãos sujas, andava sempre cheio de nós. Mas era criança e tinha a felicidade de ter a minha BMX, herdada da minha prima, e podia espojar-me nos campos de papoilas, rebolar no feno e comer amoras quentes.

Ainda sorrio, com a ilusão de que sou livre, quando passo por um campo salpicado a papolias.

Eunice Gaspar jornalista da Nova Gente
Eunice Gaspar, jornalista da Nova Gente

 


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