Crónicas

Crónicas do Meu Outro Eu | Um orgasmo na Loja do Cidadão

Ir tratar de assuntos burocráticos é sempre algo muito pouco entusiasmante. Há três meses atrás tive de fazer a renovação do cartão do cidadão e, depois de adiar várias vezes, lá ganhei coragem.

Ir tratar de assuntos burocráticos é sempre algo muito pouco entusiasmante. Há três meses atrás tive de fazer a renovação do cartão do cidadão e, depois de adiar várias vezes, lá ganhei coragem. Ao sair de casa rumo ao emprego, coloquei na mala o meu vibrador com comando, pois poderia ser uma boa opção para tornar a espera mais agradável.

Trabalho num gabinete onde muitas vezes estou sozinha, noutros momentos tenho a companhia e um colega que já conheço há muito tempo. Criámos uma relação muito próxima os dois, sendo que ele gosta de me lançar uns piropos e de se meter comigo e eu gosto de o provocar. Nunca nos envolvemos sexualmente, mas já passámos por alguns momentos mais “picantes” que a minha via exibicionista acaba por promover. Nesse dia, quando cheguei ao trabalho e entrei no gabinete, já ele estava por lá. Informei-o de que iria sair mais cedo antes de almoço, para tentar despachar a renovação do cartão e ele disse-me que tinha uns assuntos para tratar relacionados com a Via Verde e que podíamos ir os dois juntos à Loja do Cidadão das Laranjeiras.

Achei uma ótima ideia. Ele ofereceu-se para me dar boleia e sempre tinha companhia. Despachámos uma série de coisas até às onze da manhã e saímos.
– Espero que não esteja por lá muita gente! – disse-lhe quando o carro arrancou.

– Podes esperar sentada! Aquilo tem sempre umas filas infernais. Vais ter de respirar fundo e ter muita calma. Infelizmente sabia que ele tinha razão.
– O que vale é que vais em boa companhia! – ouvi-o dizer com um sorriso.
– És convencido…
– É verdade! Nem um livro trouxeste, se não fosses comigo ias passar uma seca ainda maior sozinha.
– Achas? Os livros não são a única forma de passar o tempo nestas situações! Ele desviou os olhos da estrada com um ar curioso.
– Ah não? Então?
Hesitei sobre se lhe deveria falar no vibrador que colocara de manhã na mala. Mas como dificilmente resisto a provocá-lo, decidi contar-lhe.
– Vinha preparada com um amigo que me anima bastante nos momentos mais secantes…
Decididamente ele não estava a perceber nada e lançou-me um outro olhar curioso. Peguei na minha mala e abri-a. Retirei de lá o aparelho roxo e mostrei-lho.
– O que é isso?
– Um vibrador!
– O quê!!! Ri-me ao ver o espanto que a minha revelação lhe tinha provocado.
– Como vês, se viesse sozinha iria certamente passar uns momentos agradáveis. Isto tem um comando à distância, daria para ir brincando com ele. A viatura parou num semáforo vermelho e ele olhou-me.
– Costumas usá-lo muitas vezes?
– Algumas. Quando vou às compras, quando conduzo em horas de ponta… é um bom parceiro!
– E ias usá-lo hoje?
– Possivelmente. O carro arrancou. O silêncio manteve-se durante alguns minutos, até que ele o quebrou:
– Sabes o que acho? Que podias juntar duas coisas fantásticas! A minha presença e o brinquedo. Percebi que ele tinha ficado entusiasmado e já estava a magicar alguma proposta.
– Ah sim? E isso significa exatamente o quê?
– Bom… podias usar o vibrador e deixares que eu tomasse conta do comando! Dei uma gargalhada.
– Claro! Passava-te para a mão o controlo de tudo! Acho que iria correr mal!
– Nada disso! Eu não abusava da situação! Mas seria giro…
– Tu tens de ir tratar da Via Verde, não podes ficar comigo.
– Posso sim! Trato da Via Verde noutro dia! Não tenho pressas…

Ele estava verdadeiramente entusiasmado e, verdade seja dita, eu também estava a ficar com vontade em aceder ao seu pedido. Chegámos ao destino.
– Vou deixar o carro no parque de estacionamento! – disse ele, parando junto da cancela. Entrámos na área reservada e ele conduziu até uma zona onde não havia ainda nenhum veículo estacionado. Parou e olhou-me.
– Então? Que dizes da minha proposta. Voltei a retirar o vibrador da mala.
– Chupa-o! Ele abriu os olhos surpreendido com o meu pedido.

– O quê?
– Chupa-o! Se o vou usar tem de estar molhado senão não entra!

Agarrou no vibrador e conduziu-o à boca. Olhei em volta para ver se alguém estava por perto e podia ver o que se passava. Aparentemente não havia ninguém nas redondezas. Ajeitei o corpo e puxei a saia para cima, deixando que ela tapasse apenas uns centímetros abaixo do sexo. Ele ia lambendo o objeto liso e arredondado e eu coloquei um dedo entre as coxas, desviando ao tecido da tanguinha. Meti a cabeça do dedo indicador na fenda do meu sexo e acariciei-a, tentando lubrificar um pouco a área para facilitar a entrada do vibrador.

– Deixa ver se consigo metê-lo!

Ele devolveu-me o brinquedo. Estava visivelmente excitado com tudo aquilo, o que me agradou. Olhei em volta mais uma vez e deslizei a cintura para a frente, tentando colocar o corpo numa posição o mais deitada possível. Tirei o cinto de segurança e desviei a tanguinha para o lado. O meu sexo ficou visível e pressionei levemente a ponta do vibrador. Senti que os meus lábios se ajustavam ao volume invasor e começavam a engoli-lo. O ruído de um veículo que se aproximava fez-me aumentar a pressão e o objeto desapareceu no interior do meu corpo. Ajeitei rapidamente a roupa, baixei a saia e sentei-me direita. Ao nosso lado tinha estacionado um outro carro.
– Já está!
– Bem!… Isso de te ver a metê-lo assim deixou-me animado!
– Eu percebi! Anda, vamos embora!

Saímos do carro. Vi que ele tentava ajeitar dissimuladamente o volume entre as pernas, acomodando o sexo ereto da melhor forma. Entrámos na Loja do Cidadão e os meus piores temores concretizaram-se. Várias dezenas de pessoas aguardavam e olhei desanimada para senha que a máquina me entregou. Decidimos ir até ao centro comercial que fica mesmo ao lado beber um café. Eu mantinha o comando na minha posse, não queria entregar-lho já. O volume alojado no meu sexo provocava uma sensação agradável, mesmo mantendo o motor parado. Quando voltámos ao caos entreguei-lhe o aparelho preto. Aquilo tinha a possibilidade de fazer vários ritmos de vibração, de intensidades diferentes e vibração contínua ou por impulsos.

– Agora vê se te controlas! – disse-lhe.

Ele sorriu, como se fosse uma criança a quem tivesse entregue o melhor brinquedo do mundo. Pouco demorou até sentir o vibrador começar a funcionar. Ele ia alternando entre os vários modos de vibração e eu tentei manter o ar mais natural do mundo. Senti-o afastar-se um pouco, percebi que me queria observar à distância, e aproveitei um lugar vago para me sentar. Nos minutos seguintes, os meus níveis de excitação começaram a crescer. Apesar de eu lhe ter pedido que se controlasse, a verdade é que ele ia mantendo sempre ativo o motor, apenas alternando entre ritmos. Via o seu rosto sorridente que me olhava. Decididamente não pararia com a brincadeira e estava entusiasmado a ver os efeitos de tudo aquilo.

Cruzei as pernas e contraí os músculos pélvicos. Esse movimento acabou por intensificar os efeitos do aparelho e eu engoli em seco. Descruzei de novo as pernas mas começava a estar na situação em que me apetecia sentir ao máximo o volume que me preenchia. Finalmente chegou a minha vez e sentei-me em frente ao funcionário que me recebeu com um sorriso.

Começámos a tratar do processo de renovação e senti a intensidade da vibração atingir o máximo. Contorci-me na cadeira rogando umas pragas mentais ao responsável por tudo aquilo. Tentei concentrar-me mas a situação começava a ficar complicada. Quando o funcionário me pediu para me levantar para me medir, o vibrador passou para o modo de impulsos. Procurei descobrir onde estava o meu colega, sem sucesso.

– Sente-se bem? -perguntou-me o funcionário.
– Desculpe?
– Perguntei se se sente bem, está com um ar afogueado…
– Ah… sim, está abafado aqui dentro e devia ter comido alguma coisa, devo estar com fraqueza!

A verdade é que já começavam a ser visíveis os efeitos da excitação e eu estava a ter dificuldade em conseguir controlar-me. O processo continuou até que percebi que não ia ser capaz de evitar o orgasmo. A vibração continuava na máxima potência e eu olhei em volta. Dezenas de pessoas estavam por ali e o meu coleguinha animado não iria parar com a brincadeira. Tentei respirar fundo. Ia gozar ali, era mais do que certo! Num sítio público e com um funcionário que me ia olhando de forma estranha perante as reações que o meu rosto não conseguia esconder.

Percebi que ela me fizera uma pergunta mas. Apertei as pernas e pedi desculpa. Lembro-me que ele me perguntou se precisava de um copo de água. Agradeci com voz rouca e o meu corpo preparou-se para explodir num orgasmo.
– E agora? – interroguei-me, tentando não perder o controlo da situação.
Dei comigo a esfregar uma coxa na outra. Ia gozar, já não podia fazer nada para evitar o clímax. Apertei os lábios e contraí todos os músculos do corpo. À minha frente, o olhar fixo do funcionário parecia suspeitar dos motivos daquele meu comportamento estranho.
– Desculpe! – disse-lhe em voz baixa. – Dê-me só uns segundos…

Ele abanou a cabeça num sinal de aceitação e um sorriso aflorou-lhe os lábios. Ele percebera que eu estava a ter um orgasmo ali, à sua frente! Apertei a bancada com as mãos, inclinei-me ligeiramente para a frente e abafei um gemido no momento em que o meu corpo explodiu numa miríade de sensações. Pela cabeça passou-me a preocupação de não arfar, de conter a respiração. Instintivamente, uma das minhas mãos baixou para as minhas coxas e enfiou-se entre elas. Percebi que o funcionário se deslocava ligeiramente para o lado mas nada à minha volta fazia muito sentido, a não ser os impulsos de prazer que me percorriam todo o corpo.

A pouco e pouco, todas aquelas vagas insubmissas se começaram a desvanecer. Respirei fundo e olhei para o funcionário que se mantinha em silêncio.
– Foi intenso! – disse-me ele em voz baixa.
Senti-me corar! Era evidente que apesar do esforço que fizera, não conseguira esconder os motivos do meu comportamento.
– Fica com uma expressão bonita quando… enfim… acho que percebe…

Imaginei que teria o rosto afogueado e compus o cabelo, como se o problema fosse o penteado. A vibração parou. O meu querido colega deveria ter percebido que eu já me viera…
– Desculpe!…
– Não tem que pedir desculpa. Nunca imaginei que renovar o Cartão do Cidadão pudesse provocar assim tanta excitação!
Eu nem conseguia olhar para ele, de tal forma me sentia envergonhada. Mas ele estava animado com o que acontecera. Referiu-me que quando percebeu que eu ia ter um orgasmo se colocara de forma a que os colegas atrás de si não me vissem – daí eu ter tido a sensação de que ele se deslocara para o lado… Acabámos o processo todo e levantei-me. Ele estendeu-me a mão.
– Peço desculpa mais uma vez! – murmurei.
– De nada! Quem me dera ter outras mulheres assim entusiasmadas a fazer a renovação! O meu trabalho seria bem mais entusiasmante!

Não pude evitar um sorriso. Saí do edifício e vi o meu colega com o ar mais descontraído do mundo junto à porta.
– Tenho vontade de te apertar o pescoço!
– Oohhh!… Então não foi muito mais animado do que aquilo que esperavas? E o tipo que te atendeu ganhou o dia!

Veio ter comigo e abraçou-me, beijando-me no rosto.

– Anda! Como sou simpático dou-te boleia para o trabalho!

 

Ana Paula Jorge | Crónicas do Meu Outro Eu

Ana Paula Jorge | Escritora erótica (apjlivros@gmail.com)
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