A mulher gorda

A mulher gorda

Tavez consiga perder mais peso, talvez não. Agora, esta sou eu. Ana Prista, muito prazer.

Depois de tanto tempo, tanta dieta, tanto esforço, tenho de admitir; continuo gorda. E, se calhar, ficarei assim para sempre.

Perdi 15 quilos entre Janeiro e Abril (foi uma promessa de ano novo, o único tipo de promessas que faço). Tenho, neste momento, valores de colesterol, triglicerídeos, função da tiróide, etc., considerados regulares. Enfim, estou mais ou menos saudável.

A parte mais difícil é aceitar que esta, sim, sou eu. Que a imagem no espelho que evito, que as fotografias de que fujo sempre que posso, que o reflexo da montra para onde tento não olhar, sim, essa sou eu. Com mais 30 quilos que o que toda a vida me habituei a achar normal em mim.

A parte mais difícil é aprender, aos poucos, a não rejeitar liminarmente a minha imagem. Isso passa por aceitar este meu aspeto e achar que vale a pena investir. Comprar roupa, maquilhar-me, seduzir. Aprender, aos poucos, que uma mulher que se cuide e que se goste pode ser bonita e atraente, mesmo que pese 80 quilos.

Ana Prista

Ana Prista, jornalista arrependida | leia mais sobre a autora AQUI

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