O anúncio foi feito hoje pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius: "Vamos convocar, antes do final desta semana, uma reunião, provavelmente ao nível ministerial, para tentar parar os massacres, e também para preparar a transição política [no país]", afirmou à rádio francesa RTL.
O ministro disse ainda, a propósito da posição da Rússia e da China -- que recusaram, até agora, qualquer resolução vinculativa da ONU em relação ao regime de Damasco --, que "é preciso tentar tudo".
Fabius destacou o risco de extensão do conflito aos países vizinhos, e defendeu que "já não pode dizer-se que está em causa uma questão interna".
O chefe da diplomacia francesa mostrou também receios de um massacre em Alepo, a segunda maior cidade do país, onde vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas. Fabius considerou que "é um martírio, o que o povo sírio está a sofrer", e acusou Bashar al-Assad de ser "o carrasco" do seu povo.
O ministro voltou ainda a rejeitar o envio de armas do Ocidente para as forças rebeldes na Síria: "Estão a ser-lhes entregues armas, de acordo com as informações de que dispomos. Pelo Qatar, pela Arábia Saudita, provavelmente por outros [países]. Mas não por nós", disse.
No domingo, o Conselho Nacional Sírio (CNS), o principal grupo da oposição ao regime de Bashar al-Assad, exigiu uma reunião de "urgência" do Conselho de Segurança da ONU para impedir os massacres de civis que o regime tem vindo a cometer.
Em comunicado divulgado pela agência de notícias France Presse, o CNS afirmava que o regime sírio se preparava para "cometer massacres" em Alepo, a norte de Damasco, e apelava ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que tomasse "as medidas necessárias para proteger os civis".
Depois de um 'cessar-fogo' temporário na noite de sábado, na manhã de domingo Alepo foi palco de confrontos violentos em vários bairros da cidade, em particular no de Salaheddine, um bastião de rebeldes armados.
O conflito na Síria causou mais de 20 mil mortes nos últimos 16 meses, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
(Lusa)