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Marcha de tratores entre Ovar e Estarreja reclama do Governo soluções para os produtores de leite

Marcha de tratores entre Ovar e Estarreja reclama do Governo soluções para os produtores de leite 14h20 // 11 Julho 2012 // 120 visualizações

A Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA) apelou hoje a que o Governo ajude o setor numa altura em que o preço dos fatores de produção aumenta, mas o do leite caiu novamente cêntimo e meio.

Ovar, 11 jul (Lusa) -

Albino Silva, o presidente da ALDA -- que promoveu hoje uma marcha de tratores entre Ovar e Estarreja, declarou à Lusa: "O nosso objetivo é alertar para os problemas dos produtores de leite e carne e conseguir que os órgãos de soberania arranjem tempo para discutir questões fundamentais da situação da agricultura - que está cada vez pior, com o preço do gasóleo, das farinhas e da eletricidade sempre a aumentar, enquanto o leite vale menos agora do que há 20 anos".

O representante dos agricultores de Aveiro defende que "é preciso pôr os governantes a discutirem estas questões, porque as políticas agrícolas não têm resultado, os problemas persistem, a situação económica dos agricultores agrava-se cada vez mais e, por este andar, vai ser impossível eles aguentarem muito mais tempo".

"Dezenas de pessoas abandonaram a agricultura no último ano, porque as suas explorações foram à vida", realça esse responsável. "E não estamos a falar de quatro ou cinco casos que correram mal, mas sim de 80 a 100 pessoas que fecharam as suas produções, porque não conseguiram mais suportar o custo de as manterem em funcionamento".

A situação afetará sobretudo os municípios de "Ovar, Estarreja, Murtosa, Albergaria e mesmo Oliveira de Azeméis", onde os agricultores "estão a bater em retirada, porque vivem em condições muito complicadas e desanimam ao ver que o lucro fica sempre do lado dos grandes produtores e das grandes superfícies comerciais".

Para Albino Silva, as prioridades do Governo deveriam, por isso, ser quatro: "A atualização do subsídio ao gasóleo agrícola, a reposição do subsídio à eletricidade verde, o controlo e regulamentação dos preços e o aumento do preço a pagar aos produtores pelo leite e pela carne, como incentivo à manutenção da atividade".

Domingos Dias é um dos agricultores que participou na marcha lenta, dedica-se há mais de 20 anos à produção de leite e carne, e confessa que, hoje em dia, esse trabalho "praticamente só dá para o sustento".

O empresário alimenta 70 vacas com "uma ração que está cada vez mais cara e sobe de ano para ano", paga gasóleo para os tratores "a um preço de que nem vale a pena falar", gasta com eletricidade "outro balúrdio para que não há ajudas" e, feitas as contas, "parece impossível como é que as pessoas não percebem que, apesar de tudo estar mais caro, o leite continua agora ao mesmo preço a que estava há 20 anos".

Domingos Dias garante que, a este ritmo, "as pessoas não têm capacidade para se aguentarem na agricultura" e considera por isso que a primeira medida a adotar pelo Governo "devia ser o controlo dos preços a pagar pelo leite, para evitar a exploração dos produtores por parte dos distribuidores.

"A nós, baixaram agora o preço do leite em mais cêntimo e meio, mas, sempre que fazem isso, ninguém vê o preço a baixar nas prateleiras dos supermercados", observa o agricultor. "Onde é que fica essa diferença? Quem é que a mete ao bolso? É que nós não somos", garante.

Para Domingos Dias, um pagamento mais justo pelo leite recolhido nas explorações agrícolas não terá necessariamente que ter repercussão no preço final a pagar pelo consumidor, mas, mesmo que assim fosse, o agricultor acredita que esse aumento não afetaria a economia familiar dos portugueses na atual conjuntura.

"Mesmo que para o consumidor final o pacote de leite aumentasse dois ou três cêntimos por litro", explica o agricultor, "isso representaria só um euro por mês na despesa total de uma família, por exemplo, e é preciso ver que se está a falar de um produto que alimenta a sério e que, só com um litro, dá uma refeição para quatro pessoas".

Se para o consumidor final a diferença pouco se faria notar, já para o produtor esse aumento teria efeitos significativos: "Se eu entrego à ProLeite 4.000 litros de leite a cada dois dias, imagine quanto é que eles me iam ajudar se em cada litro me pagassem mais dois ou três cêntimos".



AYC.

Lusa/Fim

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